|
|
|
# [Narciso e Goldmundo] Flávio Aguiar Lembrei-me de Narciso e Goldmundo, os dois amigos do romance de Herman Hesse, ao presenciar num dos tantos debates do momento as perplexidades de nós, as esquerdas.
Narciso e Goldmundo é o título de um romance de Herman Hesse que fez a cabeça da minha – caramba! – juventude. São dois amigos que vivem num convento, na Idade Média. Narciso é o intelectual reflexivo da dupla. Ele não é narcisista, não. Na verdade é um intelectual apaixonado, mas apaixonado pelo rigor do próprio olhar, pelo acurado de seu pensamento. É um ser que vive em espaços interiores, ancorado em seu íntimo para poder discernir com mais lucidez os contornos de sua visão de mundo. Acho que foi com Narciso (além de outros mestres em carne e osso) que aprendi a pensar. Goldmundo é o contrário. Também é um intelectual. Mas é um intelectual voltado para o mundo exterior. Atira-se pelos caminhos e descaminhos, pelos atalhos e pelas vastidões, enfrentando os amores impossíveis, as paixões irrecusáveis, os ódios acendrados. Cada passo que dá é uma viagem, cada viagem que empreende é um novo passo em sua formação. Volta, sempre, coberto pelas cicatrizes, envolto pelas lembranças, com o pensamento revolto pensando na próxima partida. Foi com Goldmundo (além de com a vida em carne e osso) que aprendi a amar. Ao mesmo tempo em que as diferenças os separam, há entre ambos uma simbiose tal que aos poucos vai se delineando a questão, no romance, de se um estará presente para amparar o outro no momento do seu trespasse, isto é, na chegada ao destino, tanto do pensamento como dos caminhos: a morte. A resposta, deixo que o leitor e a leitora lembrem ou descubram. Mas o fato é que eles são almas, mais que isso, corpos companheiros e inseparáveis. Lembrei-me dessa leitura ao presenciar num dos tantos debates do momento as perplexidades de meus companheiros e de mim mesmo, de nós, as esquerdas. A USP, junto com as outras universidades estaduais de São Paulo, está em greve. Também está portanto a aguerrida Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a nossa fefeléch, que é como dizemos a sigla FFLCH. Na assembléia da faculdade, ao lado das análises, algumas expressões de desânimo, de desacorçoamento, de derrisão: “a desilusão que passamos...”, “as surpresas que tivemos de engolir...”. À boca pequena, observações vingativas: “não voto mais nesse partido para nada [o PT]”, quando não um sonoro (embora dito baixinho) “não voto mais”, “não acredito em mais nada” etc. Confesso que ali tive meu momento de Narciso. Foi um momento ambivalente, porque ao mesmo tempo me vi como Narciso e fiz uma leitura penetrante do personagem. Pensei: nós, as esquerdas, somos bons para tentarmos enquadrar o mundo em nossas molduras de pensamento. Deixando de lado os sectarismos bobos, as esquerdas têm uma tradição de rigor no pensamento que devia ser invejável para todas as outras correntes, se estas em geral não fossem, elas sim, narcisistas, incapazes de ver os outros, a não ser para ler as vantagens possíveis para seus próprios ganhos, sem qualquer sombra de desprendimento. Desprendimento, as esquerdas têm. Mas até um certo ponto. Até o ponto de terem de olhar, não só para o mundo, mas para as suas próprias molduras de pensamento, e revê-las a fundo perdido. Estamos sempre prontos para vermos como o mundo cabe na nossa consciência; não raramente temos dificuldades de olhar com uma certa humildade generosa para tentar ver como a nossa consciência pode agir num mundo de difícil percepção. Fiquei pensando na eleição de São Paulo, por exemplo. Se a eleição de Porto Alegre vai ter um rasgo ideológico profundo, a de São Paulo vai ser fortemente marcada por um caráter de classe, de luta de classes (num dos debates Emir Sader fez referência a esse caráter), ou o que dela resta. Vai ser o povão da periferia versus a burguesia cortesã e a classe média, aquela de feição conservadora. Estou falando de perfis gerais, vejam bem: é claro que nesses perfis há recortes e mais recortes, há atalhos e remansos especiais, que cortam para muitos lados. Mas esse caráter geral e universalizante vai existir, e vai acabar despontando. Fiquei pensando também: se a atual administração da prefeita Marta e do PT perderem, quantos programas sociais de valor, e de saúde, e educacionais, e culturais, e outros nessas periferias desamparadas vão deixar de existir, vão se desorganizar, com conseqüências funestas para a população, e não só para os pobres ou miseráveis, mas para a população de todas as rendas. O trânsito está ruim em muitas partes, por causa de obras que a direita ataca e a esquerda às vezes não sabe ou não quer defender? Está. Mas o transporte coletivo melhorou, e num sem número de casos melhorou muito, indo do zero ao sete ou oito, já que dez seria impossível numa cidade como São Paulo. Posso atestar: na classificação do consumo, pertenço ao segmento A, ainda que endividado; mas ando de ônibus. Sem falar que até um ano e meio atrás quem mandava no transporte coletivo viário de São Paulo era uma máfia de fazer corar o Sr. Corleone do filme. Nos bairros, apesar dos inúmeros problemas existentes, começam a se notar calçadas – calçadas! – onde os pedestres podem andar com relativa comodidade, porque depois do ciclone extratropical malupitta, a situação era simplesmente intransitável. Ora (direis), estais falando de cosméticos! Não, não: estou falando de índices da nossa auto-estima coletiva, índices que medem a temperatura do nosso íntimo, do nosso humor matutino e talvez o do nosso desencanto vespertino, cotidiano. As pessoas que não moraram em São Paulo nos últimos dez anos provavelmente terão dificuldade para ler o que esse sentimento profundo de auto-estima significa, em relação a esta cidade. No dia seguinte ao da eleição de Pitta, por onde se andasse, era possível sentir e ler nos rostos: “nós escolhemos a estagnação”, “nós escolhemos condenar esta cidade à sua perdição”. Dava para perceber em quem as pessoas tinham votado pela altura do olhar: se para baixo, eram eleitores do vencedor. Foi uma vitória sem comemoração. Agora há problemas? Há. Mas há quem se esforce por cuidar da cidade. Foi aí, nessa altura do meu devaneio que, voltando à assembléia onde eu estava, depois de meu momento de medição com Narciso, senti uma saudade inefável de Goldmundo, e da generosidade doada e doida com que ele arrostava as amplitudes. Porque o que ele via, tão claro quanto Narciso via a construção do pensamento, era a amplitude do mesmo, e de sua busca de espaços para enfrentar o fascínio da liberdade. Continuei pensando. Não é hora de olhar nem de votar com a própria desilusão, com o próprio desânimo, embora os haja, nem mesmo com o espírito de vingança: “agora esses caras vão ver o que é bom pra tosse”. Porque até pode ser que eles (os administradores da guinada à direita no governo Lula e no PT) vejam, mas quem vai sentir o que é a tosse nos outonos frios como este que ora faz serão as crianças de São Paulo e das incontáveis cidades brasileiras, quentes ou gélidas. É hora de votar com a mesma paixão que sempre tivemos, e de fazer a melhor escolha. Isso não é pregação de voto útil. As escolhas são várias, eu sei. O que quero dizer é que não é hora de escolher com o amargor nem com a decepção. Por quê? Porque, como disse um grande amigo meu também numa reunião dessas avaliações do momento em que vivemos, não se trata de querer “salvar” o governo Lula. Até porque nós não temos poder de salvar ou destruir governos, isso é coisa para Golberys e Geisels. Podemos simplesmente analisar e agir dentro de nossas limitações. O governo que salve a si mesmo. Ou não. Trata-se isso sim de salvar as nossas idéias, os nossos ideais, e eu acrescentaria, a integridade que nos trouxe até aqui. Essa integridade nos fez, as esquerdas, buscar a lucidez no pensamento e o rigor no olhar. Mas nos fez também abraçar as causas do povo, do povinho sofrido ou do povão alçado, mesmo quando fossem perdidas. Vistamos portanto todas as nossas cicatrizes de Goldmundo, e lutemos mais uma vez pelas opções que em nosso julgamento melhoram o mundo, ao contrário de vestirmos o pijama da desdita e a touca da auto-compaixão. E não se trata apenas de considerar o atual governo federal ou as próximas eleições, mas de encarar a vastidão do futuro e a premência de vê-lo, e vê-la. Até porque essa minha geração deve ao mundo um livro coletivo: Dos impasses do socialismo científico à necessidade de um socialismo utópico. Acho que os autores do Manifesto de 1848 assinariam, hoje, um tal livro. Buenas, parei com os devaneios. Estava na hora da minha intervenção. A favor da greve, é claro, embora com muita cautela e até alguma desilusão. * Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior. :: publicado na Agência Carta Maior # [defesa]
Convidamos a todos e a todas para a defesa da Sandra Beatriz Morais da Silveira.
Título: Deusas em preto e branco: uma experiência de educação popular Dia: 02 de junho - quarta-feira às 14:30 horas. Local: FACED, sala 703. A temática é: classe social, gênero, raça/etnia # ![]() [Fórum Social Mundial 2005 vai ganhar as ruas de Porto Alegre] Está decidido. O Fórum Social Mundial não será mais realizado na PUC de Porto Alegre, em 2005. Suas instalações irão para o Parque da Redenção e a orla do Guaíba, com o objetivo de valorizar os espaços públicos. Cultura, economia solidária e comunicação popular ganharão destaque no FSM. Marco Aurélio Weissheimer 24/05/2004 O novo formato geográfico do Fórum terá, assim, dois eixos centrais que se articularão entre si. Um deles ficará na Redenção, uma das principais áreas verdes da cidade, compreendendo o Auditório Araújo Vianna e o Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Além de debates e atividades durante o dia, a Redenção deverá sediar, todas as noites, festas mundiais do Fórum. O outro eixo se estenderá do Cais do Porto ao Anfiteatro Pôr do Sul, onde serão construídos grandes espaços aglutinadores que funcionarão como bairros de discussões temáticas. Essas mudanças geográficas, que pretendem tornar mais pública a relação dos habitantes de Porto Alegre com o Fórum, estão diretamente relacionadas às mudanças metodológicas que também serão implementadas. A partir de agora, os organizadores do FSM iniciam um trabalho mais acelerado para implementar as mudanças. Trabalho que inclui, entre outras coisas, estudos de impacto ambiental, definição de orçamentos e busca de patrocínios. Agência Carta Maior Oba !!! # [Contributos para uma escola pública de qualidade] Na Escola da Ponte - Portugal Inscrições gratuitas Colóquio virtual - 31 de maio a 4 de junho de 2004 De 31 de Maio a 4 de Junho realizar-se-á um colóquio virtual subordinado ao tema "Contributos para uma escola pública de qualidade", com especialistas convidados. Ao longo de uma semana, exclusivamente em ambiente online, via Internet, os participantes terão acesso a breves contribuições destes especialistas e poderão discutir com eles as questões nelas abordadas, através de um sistema de conferência electrónica via e-mail com interface web. Estima-se que os participantes deverão dedicar cerca de duas a três horas a este evento, distribuídas ao longo de uma semana, nos horários da conveniência de cada um. Por ser totalmente assíncrono, isto é, sem hora marcada, e acontecer na Internet, o colóquio virtual pode ser acompanhado a qualquer hora, de casa, do trabalho ou de qualquer lugar de onde se consiga aceder à Grande Rede. Participações confirmadas : Rubem Alves, Rosely Saião e Eloisa Ponzo. São pré-requisitos para inscrição neste colóquio virtual: Ligação estável e regular à Internet. Conhecimentos ao nível de usuário de navegação na web e de uso de correio electrónico (ler, redigir, responder e enviar mensagens). Disponibilidade de 2 a 3 horas (meia hora por dia útil, em média) ao longo da semana de duração do evento virtual. Para se inscrever gratuitamente neste evento virtual, preencha com atenção e envie o formulário. ...........link # [retrato atual dos professores brasileiros do ensino fundamental e médio] Assunto: Lançamento da pesquisa sobre professores de ensino fundamental e médio Data/hora: 24 de maio de 2004, segunda-feira, 15h Local: Auditório do Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, em Brasília, DF. A UNESCO no Brasil (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em parceria com o Ministério da Educação (MEC), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), Instituto Paulo Montenegro e Editora Moderna, lança hoje (24/05), às 15h, no Auditório do MEC, uma pesquisa que apresenta um retrato atual dos professores brasileiros do ensino fundamental e médio, de escolas públicas e privadas, nas 27 unidades da Federação. A pesquisa, que contempla características sociais, econômicas e profissionais, foi construída a partir de questionários respondidos por 5.000 docentes, que representam um universo expandido de 1.698.383 professores, sendo 82% da rede pública e 18% da rede privada. [segue] # [Professores desplugados] Materia do jornal O Globo, 23/5
Professores desplugados: Pesquisa da Unesco mostra que mais da metade não tem computador nem navega na internet. O mundo digital está muito distante do cotidiano do professor brasileiro. Pesquisa realizada pela Unesco com cinco mil professores nos 26 estados e no distrito Federal traçou um perfil dos docentes de ensino fundamental e médio do país e revela dados inquietantes para a formação das futuras gerações: mais da metade dos professores não tem computador em casa, não navega na internet e sequer usa o correio eletrônico. A exclusão digital é conseqüência direta da situação econômica em que vivem os professores. Um terço dos entrevistados se classifica como pobre; 65,5% têm renda familiar entre dois e dez salários-mínimos. "Não há como um professor ensinar aos alunos como usar a informática a não ser que ele saiba. E não sabe nem o potencial nem como proteger os alunos do lado pernicioso da internet. É um absurdo", constata o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein. O acesso ao computador e à internet é diretamente proporcional à renda. Na faixa salarial mais alta, mais de 20 salários-mínimos, 91,7% dos professores têm máquinas em casa e 89,7% deles usam a rede. Nos países em que a internet é de uso corriqueiro no ensino fundamental e médio, o debate se concentra sobre os efeitos pedagógicos dessa ferramenta. A pesquisadora Maria Fernanda Rezende Nunes, do convênio Unesco-Unirio, uma das que analisaram os dados, acredita que a alfabetização tecnológica deve ser uma das prioridades nas políticas de investimento em educação. Os pesquisadores recomendam que o computador deixe de ser visto como um bem de consumo e seja encarado como um instrumento fundamental para o trabalho do professor. Werthein lembra que no Brasil, com 170 milhões de habitantes, só 17 milhões têm acesso a novas tecnologias. Mas a solução não se esgota com a instalação de laboratórios de informática nas escolas. Há muitos ociosos por falta de manutenção ou de conhecimento. Ele aponta o exemplo do estado de São Paulo como política correta para superar o problema. O governo paulista subsidia a venda de computadores para professores: paga a metade e cobra o resto em prestações. "É o que deve ser feito. Quando o professor tem a possibilidade de ter computador em casa, há a inclusão digital do núcleo familiar, com um impacto impressionante", diz Werthein. :: outros detalhes sobre o assunto, ver Pesquisa da Unesco Revela Perfil dos Professores Brasileiros # [As dificuldades do caminho único] Camões, o grande poeta português, disse num dos seus mais célebres sonetos que o mundo é composto de mudança e que a mudança é tanta que a cada vez as coisas não mudam mais como mudavam antes. Os condutores da política econômica do governo não pensam assim. Para eles, nesse campo existe uma saída única, estabelecida num suposto manual de economia, que valeria para todo mundo e para todo o sempre. O papel do Estado em política econômica e finanças, acham eles, é garantir a estabilidade da moeda e assegurar que o câmbio seja flutuante, para que os capitais -- globais, evidentemente -- possam fluir livremente em busca das melhores oportunidades de investimento. O resto -- coisas como controle de câmbio, intervenção econômica e financeira do Estado -- são invenções extravagantes, que, aliás, o Brasil já teria tentado várias vezes, sempre com os piores resultados.
Em relação à turbulência financeira dos últimos dias -- que elevou as taxas de juros, o chamado risco país e o preço do dólar -- eles repetem que são distúrbios passageiros, que apenas adiam brevemente o momento em que o governo começará a colher os resultados de sua boa política, que é, é claro, a de seguir o manual. Qual o erro dessa avaliação? Basicamente, trata-se de um economicismo estreito, que não leva em conta a complexidade da vida real. O mundo social, real, é contraditório; não se comporta de acordo com os manuais da economia neoliberal, que tem uma visão essencialmente monetarista. Tome-se, por exemplo, o que ocorreu nesta quinta-feira. Tudo indica que foi a decisão do Banco Central de manter os juros em 16% e a derrota do plano de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado que piorou a situação dos mercados financeiros. Por ironia, a decisão do BC tinha o objetivo de ajudar o mercado. A economia, sabem os teóricos que a estudam com uma visão mais ampla, é uma ciência estreitamente relacionada com a política. Os economicistas, que acham que basta seguir o manual, não conseguem explicar coisas mínimas como essa: uma decisão, que aparentemente deveria agradar aos grandes aplicadores em papéis brasileiros, teve o efeito contrário -- afugentou os investidores; fez muitos fugirem do país comprando dólares; fez outros exigirem juros mais altos para emprestar ao país , como se vê pela alta do risco Brasil; e assim por diante. As turbulências do mercado financeiro brasileiro nos últimos dias, que parecem mais amplas do que simples reflexos de movimentos semelhantes que ocorrem no mercado financeiro internacional em função da já anunciada mudança da política de juros dos EUA, têm a ver com as dificuldades políticas do governo Lula. Como já disse o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, que é basicamente apoiador embora tenha críticas à atual política econômica, um setor do grande capital que tinha grandes esperanças políticas na nova administração do país parece tê-las perdido. Se o governo Lula perdeu um inesperado apoio que conseguiu da direita no ano passado, graças à sua política econômica conservadora e se ele parece estar se distanciando das bases populares e progressistas que o levaram ao poder, onde ele se apoiará? fonte: Oficina de Informações # [diversas do Jornal da Ciência] :: Rio Grande do Sul recebe Reunião Regional da SBPC com recorde de atividades: mais de 700
Abertura será neste domingo, às 19h, no Auditório da Reitoria da UFRGS, em Porto Alegre, e no Theatro Treze de Maio, em Santa Maria :: Capes responde às reclamações O diretor de Programas da Capes, Roberto Bartholo, nos enviou carta, procurando esclarecer o processo de pagamento das bolsas da Capes, que, segundo ele, tem sido feito sem atraso. :: Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifesta preocupação com freqüentes atrasos das bolsas da Capes É preciso maior sintonia entre as Universidades e a Capes, evitando os desencontros de informações que estão cada vez mais comuns :: Capes inicia processo de avaliação Pode-se dizer que 2004 é ano olímpico para a pós-graduação no Brasil. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) começa no dia 12 de julho a fazer mais uma de suas avaliações trienais dos programas de pós graduação, que define o ranking das melhores instituições no país :: CNPq responde crítica ao edital de iniciação científica Agência afirma que relação entre número de bolsas concedidas na Região Norte e número de doutores é maior que no resto do país :: O futuro da Universidade pública, artigo de Gerhard Malnic Se quisermos manter neste país universidades que mereçam esse nome temos que apoiar as universidades públicas em geral, tanto estaduais como federais :: Empresas criam gene para brigar com Monsanto Inserido na planta, ele eleva resistência ao herbicida glifosato da gigante dos transgênicos :: Criada Associação para o Intercâmbio Educacional entre os EUA e o Brasil - Comissão Fulbright Novo órgão permitirá ampliação das ações da Comissão no Brasil :: Inscrições para edital de bolsas de Iniciação Científica vão até o final de junho Serão concedidas 3 mil bolsas :: Estudos Avançados 50 - Dossiê 'O negro no Brasil' Publicação quadrimestral do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP :: UFMG: Saúde Mental abre concurso para professor adjunto Vagas são para doutores com certificado de residência médica em Psiquiatria :: Concurso para professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) Inscrições até 18 de junho # ![]() [Cuba nas ruas] ... o "livre" mercado e outras lorotas vão para as cucuias quando o negócio é manter o poder e continuar expandindo império. Cuba resiste a ser a bola da vez do totalitarismo de Bush. Pretextos à parte... A "próxima vítima" reage Pressionada por Bush, Cuba vai às ruas e adota uma saída oposta à do neoliberalismo. Mesmo na crise, emprego, saúde e escola para todos As ruas tomadas de Havana, no dia 13 de maio, intrigaram quem quer que observasse as imagens da multidão transmitidas no mundo todo. Apenas quatro dias depois de um pacote econômico indigesto, um chamado do governo de Fidel Castro foi atendido por um milhão de pessoas que saíram às ruas para defender o regime cubano. Mais uma vez, a defesa do país e sua dignidade se contrapunha a um "plano de redemocratização" draconiano anunciado pelos Estados Unidos. Apostando que o orgulho ferido dos norte-americanos com o fracasso no Iraque poderá ser saciado com uma investida vitoriosa contra Cuba, Bush introduziu novas cartas no jogo eleitoral. Num plano divulgado dia 6 de maio, promete levar o regime de Fidel Castro à asfixia, cortando o fluxo de dólares que imigrantes cubanos nos EUA enviam às suas famílias e dificultando viagens à Cuba. Quer criar meios de punir empresários, inclusive de outros países, que fazem negócios com a ilha. O primeiro alvo são os 1,3 milhões de imigrantes cubanos residentes nos EUA e que mantêm laços familiares, afetivos e solidários com Cuba. Deles vai uma parte importante da renda dos parentes que ficaram na ilha. Por ano, cada um pode mandar US$ 1,2 mil. Em tese. A partir de junho, quando as medidas entrarão em vigor, essa ajuda não poderá ser enviada a famílias ligadas ao Partido Comunista, nem a parentes de segundo grau, o que deve afetar a maioria dos casos. Levar dinheiro pessoalmente será impossível. Viagens a Cuba só poderão ser feitas a cada 3 anos, com o limite máximo de U$ 50 dólares para cada dia de permanência. Ao mesmo tempo, o plano mira os cubanos da ilha. Bush pretende desnortear corações e mentes com a mesma máquina de guerra usada para manter a adesão amedrontada dos norte-americanos: a propaganda maciça e controlada pela Casa Branca. Neste caso, terão voz os contra-revolucionários de Miami, acusados de uma seqüência de atos terroristas contra Cuba. Para isso, o plano requer o "deslocamento imediato" de aviões "C-130 Comando Solo" para criar plataforma que permita as transmissões da Rádio e Televisão Marti. São emissoras baseadas nos Estados Unidos e dirigidas a Cuba, hoje barradas por interferência cubana. Pretexto para armas Transtornar as relações entre cubanos e emigrados parece ter objetivos mais militares do que econômicos. Cuba já está cercada. A Leste, Guantánamo e o Haiti sob golpe de Estado. Ao Sul, os militares do Plano Colômbia. Pretexto para invadir - possibilidade que preocupa também a Venezuela -, não há. Mas para os cubanos, o estopim acaba de ser montado. A asfixia econômica, a separação de famílias, a busca desesperada de melhores condições de vida, podem ter o mesmo efeito da crise dos anos noventa que reduziu, nos primeiros três anos, o PIB da ilha em quase 35% e provocou, em 1994, o famoso êxodo de balseiros de agosto de 1994. A lei Helms-Burton permite aos EUA, desde 1996, interpretar uma nova onda de imigrantes como um ato de guerra e motivo para uma resposta militar. O ministro Perez Roque acusa Bush de forçar a crise migratória, aumentando a pressão até que exploda. A intenção por trás do plano é apontada também por cubanos de oposição à Fidel. Eloy Gutiérrez Menoyo, dissidente que está de volta à Cuba, interpreta o gesto de Bush "como praticamente uma incitação ao conflito armado". De modo geral, o relatório de Noriega foi mal visto por todos os grupos de oposição considerados não extremistas e formados no exílio, como Cambio Cubano, Arco Progressista e Projeto Varela. Nunca em Cuba O governo cubano reagiu ao plano de Bush com esforços diplomáticos em busca de apoio internacional (na ONU, OMC, OMS e relações bilaterais). Também adotou medidas duras dentro de casa. Elas beiram o racionamento de guerra. Ainda assim, obteve o apoio de uma das maiores mobilizações jamais vistas. A dimensão é maior se considerado que o ato restringiu-se à Capital, Havana, e foi convocado na véspera. A maré de protestos invadiu a avenida à beira-mar do Malecón, em frente à Oficina de Interesses dos Estados Unidos em Havana (em Cuba não existe embaixada norte-americana). O sentimento cubano foi traduzido em cartazes com a foto ampliada da militar norte-americana que arrastava pela coleira um prisioneiro iraquiano. Sob ela, frase sintética: "Em Cuba, jamais acontecerá". Agudo como sempre, Fidel sinalizou aos cubanos que os dias vindouros serão terríveis. Disse a Bush que a resistência será feroz. Considerando que o presidente norte-americano está disposto a decretar a morte da revolução cubana, Fidel não fez por menos: "Salve, César. Aqueles que vão morrer te saúdam", ousou o presidente cubano, recorrendo à famosa frase dos gladiadores ao imperador romano. O calor de Havana indica que a população pode estar disposta a enfrentar a fome e andar descalça para suportar a radicalização do embargo econômico. Curvar-se está fora de questão. "Este povo pode ser exterminado, varrido da face da terra, mas jamais subjugado nem humilhado", avisou Fidel. Pesadelo anunciado As cenas de rua das vésperas do protesto de Havana não deixavam prever o espetáculo do dia 13. A mesma população altiva contra Bush podia ser vista correndo aflita às lojas que vendem produtos em dólares, para tentar estocar alimentos e produtos de higiene importados, os poucos itens permitidos pelo governo até um ajuste geral de preços que tornará a vida na ilha ainda mais difícil. Enquanto procura induzir a população a investir o que tem em comida, o pacote de Fidel limita dramaticamente a possibilidade de consumo de outros gêneros quase igualmente importantes. Para uma população que usa as TRD – Rede de Lojas Recuperadoras de Divisas que se baseiam na moeda norte-americana - para compra de roupas, sapatos ou produtos para casa, as medidas não poderiam ser mais impopulares. Os preços dos combustíveis também voltaram a ser proibitivos para boa parte dos cubanos. A gravidade do momento é indicada à população pelo fato de o pacote de 15 medidas não ser formalmente atribuído ao governo nem ao Partido Comunista, mas sim à "Revolução, apoiada em sua longa experiência, sua equanimidade e na sólida unidade e elevada cultura política de seu povo". Esse recurso só é utilizado em Cuba quando o regime é ameaçado e requer coesão nacional contra a ameaça. "Neste instante, a esfera política alcança sua máxima importância", diz nota oficial. A população prepara seu espírito para a possibilidade de sobreviver na pobreza aguda. Mas o que Cuba chama de essencial - e que será garantido - desafia a lógica segundo a qual desemprego e a redução de gastos sociais são males inevitáveis em tempos de crise econômica. A "ração de guerra' estabelecida por Cuba utiliza o avesso da receita neoliberal: é composta de políticas para manter os níveis de emprego mais altos do mundo (97,5%), educação e saúde pública para todos, acesso aos alimentos básicos a preços abaixo do custo. A produção cultural também será protegida. São bens e serviços que, "sem privilégios de nenhuma índole, devem ser recebidos por toda a população do país", como frisa a nota oficial. Qualquer coisa fora isso – incluindo vestuário, bebidas, acesso à internet e combustível - terá peso de ouro até que a crise seja superada. Alvo fácil? O fantasma que assombra Cuba está contido em 450 páginas, organizadas em seis capítulos por Roger Noriega, sub-secretário de Estado para assuntos da América Latina e representante dos contra-revolucionários cubanos no governo Bush. O conjunto da obra leva o nome de 'Relatório da Comissão de Ajuda a uma Cuba Livre' e prevê a ingerência radical dos EUA para forçar uma "transição democrática" do regime cubano. "Fácil de atacar, perfeita para a valentia estilo Texas", define o lingüista norte-americano Noam Chomsky ao explicar, ao jornal mexicano La Jornada, por que Cuba foi escolhida para aplacar o descontentamento norte-americano. Reinventar um inimigo – à moda de Reagan – parece ao governo o melhor remédio para manter a adesão do "povo [o norte-americano] mais assustado do mundo", na opinião de Chomsky. O relatório não poupa os norte-americanos de novas mentiras para justificar uma intromissão na vida cubana. Bush promete vacinar todas as criancinhas cubanas logo após a vitória, uma ofensa para o país onde não faltam remédios e que tem índices de mortalidade infantil menores do que os EUA. Publicado em Porto Alegre 2003: 20/05/2004 # [Expedição conclui pesquisa sobre brinquedos indígenas] Estudo foi transformado em kit educativo, que será apresentado nesta terça-feira em Brasília
David Moisés escreve para 'O Estado de SP': Os índios bororos da Aldeia Meruri, em Mato Grosso, trazem em sua tradição um jogo de origem inca, o adugo, que exige acurado raciocínio estratégico. Os canelas, do Maranhão, são bons num quebra-cabeça conhecido como anel africano. Como eles, outros povos têm jogos, brinquedos e brincadeiras particulares de suas culturas e, há pouco, desconhecidos fora das aldeias. Agora é possível conhecer esse repertório do universo lúdico indígena. Um grupo de pesquisadores concluiu uma expedição que começou pelos camaiurás, em novembro passado, e seguiu percorrendo as tribos boboro, pareci, canela, ticuna, maioruna, manchineri e guarani. As descobertas foram registradas detalhadamente e compõem o primeiro estudo sobre o tema em todo o mundo. Professores poderão ensinar as crianças e os próprios índios poderão saber como se brinca nas outras aldeias. Os organizadores da expedição lançam hoje em Brasília, no Ministério da Educação, um kit de jogos, brinquedos e brincadeiras que será distribuído a pelo menos 20 mil escolas, principalmente nas escolas indígenas de todo o país. O kit inclui um livro para crianças, um guia para professores e peças de alguns jogos, como o adugo, com explicações sobre como jogar. Além disso, 500 cópias do videodocumentário da expedição serão distribuídas. 'O que foi levantado é um tesouro nacional', diz o professor Irving Finkel, especialista em jogos do Museu Britânico, que acompanhou os estudos. 'Queríamos não só conhecer e registrar coisas, mas também saber se entre os índios há jogos mais sofisticados, e esta foi a nossa principal constatação', lembra o chefe da expedição, Maurício Lima. Lima é um estudioso dos jogos e brincadeiras do mundo e tem em Belo Horizonte uma empresa, a Origem, que fabrica peças para vários jogos antigos. Ele lançou a idéia da expedição e logo ganhou apoio de organizações internacionais, além do patrocínio da Bosch, que aplicou cerca de R$ 500 mil via Lei Rouanet. No ano que vem, a Origem vai lançar no mercado uma linha de jogos e brinquedos indígenas, com livro e documentário, pagando os devidos royalties para os índios que tiverem suas tradições transformadas em produtos. 'Talvez isso também ajude a evitar o desaparecimento destas tradições', avalia Lima. Os ministros Tarso Genro (Educação) e Gilberto Gil (Cultura) participam do lançamento dos kits. A solenidade terá a participação de um coral composto por dez mulheres e um cantor da Aldeia Escalvado, dos índios canelas, do Maranhão. (O Estado de SP, 4/5) # [Octavio Ianni] artigo de Francisco de Oliveira O melhor que seus amigos, colegas e discípulos podem fazer é atualizar permanentemente a paixão de Octavio e suas posições Francisco de Oliveira é professor-titular aposentado do Depto. de Sociologia da USP e coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da FFLCH-USP: Octavio Ianni nos deixou dia 4 de abril de 2004. Pertencia à geração que sistematizou a sociologia no Brasil, fazendo-a ir além de comentários abalizados sobre a situação social e a formação da sociedade brasileira, transformando-a em verdadeira ciência social. A partir deste salto, a trajetória de profissionalização das ciências humanas, no sentido de Weber, seguiu em carreira ascendente, com a formalização e institucionalização das pós-graduações. Octavio Ianni foi um grande professor. Apaixonado pela Universidade, deu aula até duas semanas antes de morrer. Aposentado da USP pelo AI-5, foi para a Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP), onde formou, junto com seu mestre Florestan Fernandes, Maurício Tragtenberg, Carmen Junqueira e muitos outros, um excelente curso de Ciências Sociais e sua pós-graduação, que cresceu e hoje mui justamente coloca-se entre os melhores do Brasil. Voltando à Universidade pública, por convite do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, ficou lá até sua aposentadoria compulsória, há dois anos, com a qual não se conformava. Foi então professor-visitante na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e voltou uma vez mais à Unicamp, também como professor-visitante, na faina incansável de formar novas gerações de cientistas sociais. Sua Universidade matriz, a USP, por sua Faculdade de Filosofia, reconheceu-lhe a importância dando-lhe o título de professor emérito. Em seu enterro na cidade de Itu, onde nasceu, viu-se parte de sua influência e sua herança: os colegas da Unicamp das ciências sociais estavam lá em peso, e muitos também da sua original Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Na divisão intelectual de trabalho patrocinada por Florestan Fernandes , dedicou-se inicialmente ao estudo das relações raciais no Brasil, e à sua compreensão numa sociedade de castas que se transformava em uma sociedade de classes, em que o estigma racial funcionalizava-se como auxiliar da exploração. Depois, enveredou pelos estudos do desenvolvimento capitalista, na chave sociológica do subdesenvolvimento, inclusive a da formação dos aparelhos de planejamento no Estado brasileiro, percebendo, desde logo, que os mesmos faziam parte estrutural do movimento do capitalismo, não sendo apenas desvios retóricos. Sua produção logrou também interrogar as várias formas políticas na América Latina, nos países de maior desenvolvimento capitalista, e a peculiar forma de inserção do proletariado na arena política, que a sociologia de SP estudou conceitualmente sob a ótica do populismo. O conhecimento historiográfico e sociológico posterior aconselham a uma revisão da caracterização protofascista do populismo, mas fica, sem dúvida, o esforço teórico para compreender uma forma própria da política de classes na periferia capitalista. Sua última fase de produção, já há mais de dez anos, dedicou-a à investigação dos fenômenos e dinâmica da mudança global capitalista, sobre a qual exerceu seu conhecido senso crítico, sem deixar de anotar a nova importância das formas 'globais' que, de certo modo, nos projeta a todos para além das dimensões de nossas províncias nacionais, e redefine quase todas as questões. O número de seus alunos é quase incalculável, e a de seus orientandos é também avantajada, além das bancas de mestrado, doutorado, livre-docência e professor titular de que participou. Muitos lhe devem sua entrada na Universidade, não por procedimentos patrimonalistas, mas pelo incentivo e decisiva crítica nas bancas de exame. Seria longa a lista dos serviços que prestou à Universidade pública brasileira. A discussão da sua obra será constante e não se esgotaria num artigo que se inscreve nesse reconhecimento, além de ser também um penhorado agradecimento a quem me ajudou a entrar no mundo acadêmico de SP e do Brasil, levando-me em 1970 para o Cebrap, para trabalhar num projeto de pesquisa sob sua coordenação. Tive o privilégio de compartilhar com ele, diariamente, um ambiente de trabalho e discussão apaixonada no Cebrap dos anos setenta, e de gozar de sua amizade durante mais de trinta anos. Mas a Universidade pública perde um de seus formadores mais importantes, justamente numa hora em que se vê avassalada pelo mercado, pela expansão do ensino superior privado, e por posições ambíguas dos governos, desde o de FHC - aliás, seu colega de turma na Maria Antônia mítica - ao de Lula, que talvez esteja sendo preso na armadilha neoliberal também no capítulo da Universidade, o que será - se completado - um erro de proporções históricas irreparáveis. O melhor que seus amigos, colegas e discípulos podem fazer é atualizar permanentemente a paixão de Octavio e suas posições, já que não podemos invocar sua intercessão extra-terrena. Para além de tudo, e de forma extremamente coerente, Octavio nunca vendeu sua independência intelectual a nenhuma marca, qualquer que fosse, numa lição de integridade republicana com poucos paralelos entre nós. Foi bonita e comovente a saudação de Eduardo Suplicy junto ao seu corpo: o pedido de uma calorosa salva de palmas para uma vida como a dele, que nos engrandeceu. Todos nós respondemos com dor e alegria: vai Octavio, ser gauche na eternidade. (Agência Carta Maior, 30/4) # [TV Rocinha, maior sucesso da TV paga] Dentro da rádio, uma sala reúne o microfone e a mesa de som de Guilherme, uma coleção de CDs e o computador, com o qual ele relaxa entre uma música e outra com jogos.
"Quando se perde uma criança ou um documento, a rádio ajuda de forma imediata", explica ele, pedindo licença para fazer uma intervenção no ar. "Também ajudo em campanhas de esclarecimento, como a campanha contra a fome ou a da dengue." A Rádio Brisa é uma das três instaladas na Rocinha. As outras duas são a Rocinha e a Katana, que, ao contrário da Brisa, têm transmissores e uma freqüencia registrada no dial, onde operam em FM. Evandro Rodrigues é locutor da Rádio Katana. Ele diz que ela não foge do seu compromisso de informar as pessoas quando há episódios de violência na comunidade, como tiroteios. Isso apesar da lei do silêncio imposta por traficantes do morro. "Num outro dia tivemos um tiroteio lá embaixo, na entrada da Rocinha", diz ele. "Eu estava no ar e informei para o pessoal evitar a área. Mas é raro os moradores ligarem para cá para falar sobre algo do tipo que esteja acontecendo na vizinhança deles. Eles temem que o telefone esteja grampeado." :: leia na íntegra na BBC Brasil :: pesquei no LigaNóis # [aqui texto] Educação de Jovens e Adultos alfabetiza 5 mil pessoas em Pernambuco O MST realiza, nos dias 29 e 30 de abril, a Certificação em Alfabetização de 5 mil jovens e adultos das áreas de assentamentos e acampamentos de Reforma Agrária em Pernambuco. Os educandos fazem parte do Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos "Brasil Alfabetizado", desenvolvido pelo MST em convênio com o FNDE/MEC. Participam do evento, no Ginásio de Esportes Geraldão em Recife, a educadora Ana Maria Freire, viúva de Paulo Freire; ministro da educação, Tarso Genro; o ministro das Ciências e Tecnologias, Eduardo Campos; o senador Cristóvão Buarque, e o prefeito do Recife, João Paulo. A Jornada Nacional pela Reforma Agrária, desencadeada na primeira quinzena de abril, mostrou mais uma vez, à sociedade brasileira, a necessidade e urgência em democratizar a estrutura fundiária do país. As milhares de famílias de trabalhadores rurais Sem Terra que participaram das caminhadas, das ocupações de latifúndios e dos acampamentos nas grandes cidades mostraram a disposição de lutar para permanecer no campo, produzindo alimentos. São famílias que se recusam a ir para as grandes cidades engrossar os cinturões de miséria das favelas urbanas. São brasileiros que reivindicam a garantia de acesso ao trabalho, moradia e educação. Exitosas, essas lutas serviram para reanimar nossa base social e aumentar a autoconfiança no poder transformador que tem as massas sociais organizadas e mobilizadas. Cresceu a certeza de que não basta eleger políticos comprometidos com as transformações. É preciso que ocorram as lutas sociais para que realmente essas mudanças se concretizem. O comportamento da mídia também não foi diferente das outras jornadas de lutas. Ela concedeu amplos espaços nos noticiários para as mobilizações que aconteceram, mas, em nenhum momento, abriu mão do seu posicionamento ao lado dos interesses do latifúndio. Mentiras na mídia A repercussão das lutas também fez com que aqueles intelectuais encarregados de fazer a defesa do latifúndio ganhassem novos espaços na imprensa. Alguns deles tratam de eliminar o problema da questão agrária simplesmente dizendo que ele não existe, uma vez que não há terras improdutivas ou latifúndios. Outros, do mesmo time, se esforçam para desmoralizar a própria organização dos trabalhadores, suas lideranças e suas propostas para a agricultura brasileira. Da mesma forma, a jornada de lutas obrigou a classe política a se posicionar sobre a questão. Não os políticos já identificados com latifúndio, mas aqueles que usam uma retórica ambígua para "ficar em cima do muro", pensando que agradam os latifundiários e os sem terras ao mesmo tempo. A Reforma Agrária não será feita no grito e muito menos fora do que estabelece a lei, porém, ela precisa ser feita. E as nossas lutas, nossas mobilizações acontecem exatamente para que a Constituição Federal seja cumprida. A importância da unificação das lutas Mas, a influência desses acontecimentos não ocorreu apenas aos que se opõem à Reforma Agrária. Cresce, em outros setores sociais, do campo e da cidade, a certeza da necessidade de mobilização para obter conquistas sociais. Vamos somar à luta pela Reforma Agrária a luta contra o desemprego, por moradia, saúde e saneamento básico; as reivindicações dos pequenos agricultores, a defesa das terras indígenas, a luta por um ensino público gratuito e de qualidade. É importante, unificar todas as lutas dos que sonham com a transformação social deste nosso país. Festa popular valoriza sementes crioulas em Santa Catarina A II Festa Nacional do Milho Crioulo e a Feira Nacional das Sementes Crioulas aconteceu de 21 a 25 de Abril, em Anchieta (SC). O evento reuniu cerca de 25 mil pessoas de diversos Estados e representantes de onze países para valorizar a agroecologia e as sementes crioulas, que são variedades rústicas cultivadas e conservadas pelos agricultores de geração em geração. Durante o evento, promovido pela Via Campesina, ocorreram também debates sobre transgênicos e a produção, distribuição e consumo dos produtos agrícolas. fonte: boletim do MST - Ano III - nº 63 sexta-feira, 30 de abril de 2004 # [Reforma universitária está sendo fatiada, sem discussão com sociedade] Por Maíra Kubík Mano
Os movimentos sociais ainda não foram chamados para colaborar com a proposta de reforma universitária elaborada pelo governo federal. Segundo o professor José Domingues de Godoi Filho, vice-presidente do Andes (Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior), o ministério da Educação não tem espaço na agenda para ouvir as entidades da área. Para Domingues, a reforma universitária já começou a ser implementada por partes, em formato de medidas provisórias: “corremos o risco de chegar no final da discussão e os pontos fundamentais já terem sido implementados antes”, afirmou. Correio da Cidadania: Como a reforma universitária está sendo encaminhada pelo governo? José Domingues: Gostaria de dizer que nós não somos contra a reforma universitária. Somos contra essa reforma que está vindo aí, feita como a reforma da previdência e as outras. A reforma universitária inclusive já começou. Ela está sendo fatiada: primeiro veio o Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior), através de uma medida provisória, quando o compromisso do ministério da Educação (MEC) era apresentá-lo em forma de projeto de lei. Depois, a emenda constitucional propondo pagamento de mensalidade para quem já se formou. Corremos o risco de chegar no final da discussão e os pontos fundamentais já terem sido implementados antes. CC: Qual a posição do Andes em relação ao programa Universidade Para Todos? JD: É um absurdo total. A proposta de dobrar as vagas do ensino público feita pela Andifes (Associação dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior) é mais barata. Não aceitamos que as verbas públicas sejam destinadas à universidade privada. E agora a medida provisória que implementa o programa foi suspensa porque as universidades particulares reclamaram não ganhar o suficiente. Além disso, temos que discutir a reforma da educação em conjunto. Entendemos que a reforma universitária faz parte de uma discussão mais ampla, que vai desde a creche até a pós-graduação, em uma visão de conjunto. Não é isso que está sendo feito e, daí, a reforma aparece em pedaços: Universidade Para Todos, licitação de vagas para formar professores etc. CC: E as fundações de direito privado, qual o papel que elas devem adquirir na reforma universitária? Elas serão mantidas? JD: As fundações são uma das formas de privatizar a universidade. Isso vem da época do FHC. Caminha-se na direção de transformar a educação em mercadoria, passando para provedores privados a educação, saúde, cultura etc. É um conjunto de organizações que, na reforma, vai ser gerido por fundações de direito privado. Na medida em que a fundação entra, o Estado não se compromete mais com a educação. As fundações se constituem num elemento extremamente nefasto para a consolidação da universidade pública. Com essa briga da reforma, isso virou uma festa. Nós achamos que a educação é um investimento, que as verbas não devem ser direcionadas para o espaço privado e que os recursos do Estado são suficientes. Como a lógica é a da empresa, os pressupostos que a universidade tem, como a liberdade para pesquisa, vão ser cerceados, em prol dos interesses privados. CC: Qual a posição do Andes em relação à educação à distância, também parte do projeto de reforma? JD: Entendemos que educação tem que ser presencial. Mesmo que não houvesse outra opção, o que não é verdade, essa proposta teria que ser mais discutida. Educação à distância não é o caminho para resolver o problema da educação no Brasil. CC: O governo fez um grupo interministerial para elaborar uma proposta de reforma. Qual a participação dos movimentos sociais na discussão da reforma universitária? JD: Até agora não temos nenhuma participação. Em relação a esse grupo, a informação dada pelo assessor do ministro Tarso Genro é de que o MEC não adotará seu documento como base para a reforma, e sim como uma contribuição. Outro grupo irá, a partir de agora, conduzir o processo de discussão. CC: Qual a proposta do Andes para a discussão? JD: A proposta é antiga. Em relação à universidade, há alguns pontos que o Andes defende historicamente: primeiro, a defesa de uma universidade pública, gratuita, democrática, laica e de qualidade. Verbas públicas devem ser exclusivamente para escolas públicas. Depois, defendemos um padrão unitário de qualidade. Isso significa que as universidades não precisam ter o mesmo curso, mas precisam de um mesmo padrão. Queremos também uma carreira única para os professores, tanto para aqueles que lecionam no ensino público quanto no privado, além de um plano nacional de capacitação para os docentes. Em relação ao financiamento, temos que garantir no mínimo os recursos constitucionais previstos na constituição. Os governos não vêm cumprindo nem essa determinação. E ainda criaram a DRU (Desregulamentação dos Recursos da União), que significou um corte de 20%, cerca de 3,4 bilhões ao ano a menos. O governo tem que cumprir o dever constitucional, entender a educação como um investimento. Acima de tudo, temos que discutir a questão da educação nacional com um projeto de país. Não se formam as pessoas por formar. Forma-se tendo em vista o que se pretende com a educação, com o país. Da maneira como está sendo feita, essa reforma não vai atender aos interesses da sociedade brasileira. Ela não vai ser nada além do que já foi preconizado pelas outras reformas indicadas pelo Banco Mundial. fonte: Correio da Cidadania # [Proposta em Barcelona união de bibliotecas] [...] Ainda em Barcelona, a equipe contatou com Gerd Hamsen, da Creative Commons (CC), com quem definiu detalhes de uma parceria para difundir as alternativas legais já existentes para quem não quer publicar livros com copyright restritivo. Mosaico de Livros e CC pretendem fazer uma ampla campanha de divulgação dos tipos de licença alternativos que já existem para obras literárias. Com a Alqua (http://alqua.com) e Sindomínio (http://sindominio.net), se estudará uma maneira de organizar ações conjuntas no sentido de difundir documentos livres sobre os temas do Fórum Social Mundial. A Alqua apresentou no evento o Livro Aberto, um livro livre criado pelo grupo e que consiste em imprimir e encadernar textos copyleft para doar a bibliotecas. A idéia é que muitos desses livros cheguem à Usina do Gasômetro, em Porto Alegre. [...] :: detalhes na Mosaico de Livros |
Links Últimas Postagens Arquivos
|