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[Expedição conclui pesquisa sobre brinquedos indígenas]


Estudo foi transformado em kit educativo, que será apresentado nesta terça-feira em Brasília

David Moisés escreve para 'O Estado de SP':

Os índios bororos da Aldeia Meruri, em Mato Grosso, trazem em sua tradição um jogo de origem inca, o adugo, que exige acurado raciocínio estratégico. Os canelas, do Maranhão, são bons num quebra-cabeça conhecido como anel africano. Como eles, outros povos têm jogos, brinquedos e brincadeiras particulares de suas culturas e, há pouco, desconhecidos fora das aldeias. Agora é possível conhecer esse repertório do universo lúdico indígena.

Um grupo de pesquisadores concluiu uma expedição que começou pelos camaiurás, em novembro passado, e seguiu percorrendo as tribos boboro, pareci, canela, ticuna, maioruna, manchineri e guarani. As descobertas foram registradas detalhadamente e compõem o primeiro estudo sobre o tema em todo o mundo. Professores poderão ensinar as crianças e os próprios índios poderão saber como se brinca nas outras aldeias.

Os organizadores da expedição lançam hoje em Brasília, no Ministério da Educação, um kit de jogos, brinquedos e brincadeiras que será distribuído a pelo menos 20 mil escolas, principalmente nas escolas indígenas de todo o país. O kit inclui um livro para crianças, um guia para professores e peças de alguns jogos, como o adugo, com explicações sobre como jogar. Além disso, 500 cópias do videodocumentário da expedição serão distribuídas.

'O que foi levantado é um tesouro nacional', diz o professor Irving Finkel, especialista em jogos do Museu Britânico, que acompanhou os estudos.

'Queríamos não só conhecer e registrar coisas, mas também saber se entre os índios há jogos mais sofisticados, e esta foi a nossa principal constatação', lembra o chefe da expedição, Maurício Lima.

Lima é um estudioso dos jogos e brincadeiras do mundo e tem em Belo Horizonte uma empresa, a Origem, que fabrica peças para vários jogos antigos. Ele lançou a idéia da expedição e logo ganhou apoio de organizações internacionais, além do patrocínio da Bosch, que aplicou cerca de R$ 500 mil via Lei Rouanet.

No ano que vem, a Origem vai lançar no mercado uma linha de jogos e brinquedos indígenas, com livro e documentário, pagando os devidos royalties para os índios que tiverem suas tradições transformadas em produtos. 'Talvez isso também ajude a evitar o desaparecimento destas tradições', avalia Lima.

Os ministros Tarso Genro (Educação) e Gilberto Gil (Cultura) participam do lançamento dos kits. A solenidade terá a participação de um coral composto por dez mulheres e um cantor da Aldeia Escalvado, dos índios canelas, do Maranhão.
(O Estado de SP, 4/5)
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