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A chegada da polícia: Quilombo de Linharinho, 26 de Julho de 2007
# No quarto dia de retomada do território de Linharinho se amanheceu com enorme entusiasmo. Depois de um mingau de milho doce pela manhã, uma roda de crianças cirandava por dentro do circo, armado desde o dia 23. A cozinha, construída no dia anterior, já estava a plenos vapores. Durante todo o dia, intenso trabalho de mulheres, homens, em inúmeros mutirões.Na construção da cacimba, 6 jovens cavavam pra mais de metro, até jorrar a água fria do São Domingos, crivado de eucaliptos na mata ciliar. Concluiu-se o posto de saúde, com prateleiras onde já se organizava a disposição das ervas medicinais e seus preparados. Instalada a energia, ponto importante foi a inauguração da rádio luar, livre para todas as falas, e também usada nas horas de assembléias. Na rádio luar, cantou-se e celebrou-se com música. As mudas e sementes crioulas já estavam chegando em quantidade mais intensa, desde os quintais de várias mulheres das comunidades mais próximas, que se organizavam em um grupo específico. Traziam bananeira, coco, milho, feijão, quiabo, etc. E tudo isso precisava ser organizado e classificado, já prevendo os mutirões de plantio do dia seguinte, depois da limpeza da área imunda de eucaliptos. O que mais impressionava era a chegada de mais e mais gente, de comunidades cada vez mais distantes. Á luta do Quilombo de Linharinho vinham se somar Angelim 1,2 e 3, São Domingos, Roda d’Água, Dilõ, Nova Vista e mais gente de Santana, de Itaúnas. As barracas se multiplicavam: 8 no primeiro dia, 15 no segundo, 23 no terceiro. Quantos chegarão até o forró de Sábado? Almoço: feijão, arroz, carne, farinha, repolho, tomate. Longa fila de pratos e canecas. Descanso e volta aos mutirões. Foi então que se ouviu o anúncio da segurança. Era por volta de 4 horas da tarde, quando dois morteiros explodiram no ar. Foram todos e todas pro portão de entrada e pra guarita, construídos logo no primeiro dia.Chegou primeiro o INCRA, para uma audiência convocada pela negrada. Logo depois, chegaram os representantes do governador Paulo Hartung e da (In)justiça: 20 carros da pm garantiam a segurança do oficial, que vinha notificar o paraíso quilombola, de sua liberdade e alegria. Ficaram do lado de fora da guarita de segurança. Com o documento de reintegração de posse em mãos, solicitavam alguma assinatura de recebimento, na delicadeza das botinas e armas. Ninguém quis assinar não. Um cordialíssimo diálogo se deu, no assina não assina, quem assina? Negociou-se um novo prazo para o recebimento da notificação. Amanhã, dia 27 de Julho, pela manhã. A pm se foi. Uma trégua temporária. Na lona do circo, uma nova assembléia, agora com o INCRA. Muitas falas quilombolas,de revolta e encorajamento, de cobrança de agilização do lento processo estatal e administrativo. O INCRA reafirma a portaria publicada no Diário Oficial da União: as terras são de Linharinho! A audiência com o INCRA acaba e a assembléia continua. Mais falas, de quilombolas e parceiros presentes. Muitos debates, avaliações e planos, a verificar.A mídia oficial nada veicula, mas no Quilombo paira a certeza de que não se está só, apesar da ausência completa dos deputados e vereadores que sempre dizem apoiar a luta quilombola. Onde estariam eles nos últimos 4 dias? Viva a resistência quilombola! Amanhã vai ser outro dia. 26 de julho/2007. Fotos Adital
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