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TV Digital
# Governo atende "donos da mídia" e adota padrão japonês Decreto sacramenta acordo defendido pelas empresas que dominam o setor. Segundo o presidente Lula, acesso será ampliado. Momento histórico em prol da democratização foi perdido, lamentam entidades. Jonas Valente – Carta Maior BRASÍLIA - Ao assumir o Ministério das Comunicações, o ex-repórter e então senador Hélio Costa chegou com uma missão clara: acelerar a implantação da TV Digital dentro do governo. As relações com os radiodifusores, já evidenciadas na defesa radical da frustrada ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao saneamento das dívidas das emissoras de TV feita por Costa na época em que era parlamentar, ficaram mais explícitas no cumprimento de sua missão. Mais do que viabilizar o início das transmissões o mais rápido possível, a missão de Costa era garantir a adoção da tecnologia japonesa. Na iminência do primeiro prazo estipulado para a decisão do governo sobre o tema, 10 de fevereiro, o ministro apareceu no Jornal Nacional, principal telejornal do País, veiculado pela Rede Globo, pressionando o presidente em cadeia nacional afirmando que já havia “botado a bola na marca do pênalti” para Lula “marcar”. Na cerimônia desta quinta-feira (29), o ministro das Comunicações retomou a metáfora futebolística e parabenizou o presidente pelo “gol de placa”, em referência ao Decreto lançado ontem que estabelece o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T) com base na tecnologia japonesa. O anúncio atendeu ao pleito histórico dos donos de emissoras de TV. Ao governo restou a justificativa das alegadas vantagens técnicas deste padrão, uma vez que houve pouco avanço no terreno da política industrial. “Escolhemos o padrão japonês na medida em que ele é o mais robusto, pois no Brasil há predominância da TV aberta com muita ocorrência de antenas internas, o que demanda um sinal mais forte”, disse a ministra Dilma Roussef (Casa Civil). Outro argumento utilizado foi que somente o padrão japonês permitiria a transmissão para receptores portáteis, como celular, e móveis, como em veículos. “O diferencial para não desenvolvermos nossa tecnologia em favor dos japoneses é o fato de podermos ver televisão em ônibus? De uma suposta modulação robusta sendo que as desenvolvidas aqui são melhores? Esta justificativa é pífia”, argumenta Diogo Moyses, do coletivo Intervozes. Para ele, a decisão de forma apressada, sem qualquer justificativa plausível ou contrapartida por parte dos japoneses evidencia o fato do governo Lula ter sucumbido aos interesses dos radiodifusores. “O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou com um privilégio injustificável à Rede Globo de Televisão: sua entrevista exclusiva ao Jornal Nacional, logo após anunciado o resultado da eleição. E termina do mesmo modo, com a injustificável e injustificada decisão de iniciar a transição das transmissões analógicas para as digitais, na televisão terrestre, do único jeito que as Organizações Globo aceitavam: com a opção pelo padrão ISDB-T, originário do Japão, e só adotado naquele país”, critica o professor da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade de Brasília (UnB), Murilo César Ramos. (............ segue)
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