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[diversas]


:: novo blog no ar - Trata-se do TRIDISCIPLINA, iniciativa da Profª Carmen Machado e da pesquisadora Cátia. Para mais detalhes, aguardo post das autoras.

:: Livro comemora os 70 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - A obra é uma coletânea de artigos de ex-reitores e outras persnalidades ligadas à UFRGS, que completa 70 anos dia 28/11. O lançamento aconteceu nesta quinta-feira, às 17h, no Salão Nobre da Universidade, que fica na Avenida Paulo Gama, 110/6º andar, Porto Alegre.

:: Para ler:
O Discurso e a História - José Luís Fiori
Como não se tratava de uma análise histórica, o presidente Lula não precisou, em seu discurso na Assembléia-Geral da ONU, referir-se ao parentesco direto existente entre o antigo colonialismo e as novas formas de controle financeiro e submissão real da periferia do sistema capitalista. Mas vale a pena retormar essa história. Ag. Carta Maior

Região profunda - Boaventura de Sousa Santos
O espaço cultural e científico de língua oficial portuguesa é o espaço mundial com a mais longa duração histórica de contactos entre a cultura européia e as culturas não-européias. Mas os governantes insistem em fazer vista grossa. Ag. Carta Maior

:: Livro: A Era do Consenso - Livro que obteve enorme repercussão no exterior e acabou transformando-se na “bíblia” dos movimentos pós-Seattle e Gênova é lançado no Brasil. Ag. Carta Maior

:: Opinião: Reforma universitária coloca instituições de ensino superior na lógica do mercado - Para representantes do Andes, o projeto do MEC afasta a universidade de sua missão primordial: produzir e distribuir conhecimento para o conjunto da sociedade. Jornal da Ciência

:: MEC abre mais de 17 mil vagas em cursos a distância - "Priorizamos a oferta de cursos de ciências exatas devido à dramática carência de docentes no ensino médio e para as séries finais do ensino fundamental nas redes públicas", disse Marcos Dantas, ao justificar a concentração da oferta nessas áreas. Jornal da Ciência

:: Governo negocia com indústria acesso ao micro pelo Projeto PC Conectado - O computador de custo mais baixo para massificar o acesso à tecnologia para uma camada maior da população está sendo objeto de discussão entre o governo federal e a indústria. Jornal da Ciência

:: Bolsistas do Pibic podem concorrer a prêmio do CNPq - Inscrições até a próxima sexta-feira, dia 30. Estão abertas, até o dia 30 de setembro, as inscrições para o Prêmio Destaque do Ano em Iniciação Científica. Promovida pelo CNPq, a iniciativa irá premiar universitários que participam do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). CNPq.

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[Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas em Trabalho, Movimentos Sociais e Educação - TRAMSE]


Aos/às candidatos interessados/as em participar da seleção na Linha de Pesquisa Trabalho, Movimentos Sociais e Educação:
Estamos oferecendo a indicação de uma bibliografia básica, ou mínima, que servirá de suporte para a questão de caráter geral na prova de seleção para esta Linha de Pesquisa. Na seqüência, estamos indicando, também, uma bibliografia mínima dentro de cada eixo temático. O/a candidato/a deverá tomar conhecimento da bibliografia básica e da bibliografia mínima do eixo temático para o qual pretende orientar sua pesquisa. Esta bibliografia mínima, correspondente ao eixo temático de pesquisa de cada professor/a-pesquisador/a, que será o/a orientador/a, servirá de base para a formulação da questão específica de pesquisa, aquela para a qual o/a orientando/a dirige seus interesses de pesquisa. Recomendamos que fiquem atentos/as aos eixos temáticos e seus/suas respectivos/as orientadores/as, conforme especificado abaixo.
Maiores informações a respeito da bibliografia e dos professores/as orientadores/as poderão ser obtidas com a bolsista Camila, na sala 810 da Faculdade de Educação, onde funciona o Núcleo de Pesquisa em Trabalho, Movimentos Sociais e Educação - TRAMSE.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÁSICAS DA LINHA DE PESQUISA

DURKHEIM, Émile. A educação - sua natureza e função. In: Educação e Sociologia. 7. ed. São Paulo: Melhoramentos, p. 33 - 56, 1967.
GRAMSCI, Antonio. 1. Caderno 12 (1932). Apontamentos e notas dispersas para um grupo de ensaios sobre a história dos intelectuais. In: Cadernos do Cárcere - Os Intelectuais. O Princípio Educativo. Jornalismo V. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 13 - 53, 2001.
MARX, Karl. XI. Cooperação; XII. Divisão do trabalho e manufatura; XIII. A maquinaria e a indústria moderna. In: O Capital. Crítica da Economia Política. O processo de produção do capital. Livro I, v. 1. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 361 - 571, 1998.
MARX, Karl. XXIV. A chamada acumulação primitiva. In: O Capital. Crítica da Economia Política. O processo de produção do capital. Livro I, v. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 828 - 877, 2003.
MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. Cap. I de A Ideologia Alemã. In: A Ideologia Alemã. Teses sobre Feuerbach. São Paulo: Moraes, p. 09 - 67, 1984.
MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. Educação, formação e trabalho. In: Textos sobre Educação e Ensino. São Paulo: Moraes, p. 27 - 44, 1983.
WEBER, Max. Os três tipos de dominação legítima. In: COHN, Gabriel (org.). Sociologia. 6. ed. São Paulo: Ática, p. 128 - 141, 1997.

REFERÊNCIAS ESPECÍFICAS AOS EIXOS TEMÁTICOS

Envelhecimento e Educação - Prof. Dr. Johannes Doll
BEAUVOIR, Simone. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990 (Original publicado em

1970). Desta obra: Cap. I - Velhice e biologia; Cap. II - Os dados da etnologia, páginas 23 - 108).
NERI, Anita Liberalesso; DEBERT, Guita Grin (orgs.). Velhice e sociedade. Campinas: Papirus, 1999.
PY, Ligia et al. Tempo de envelhecer: percursos e dimensões psicosociais. Rio
de Janeiro: Nau, 2004.

Formação do professor/pesquisador do Mercosul - Prof. Dr. Augusto N. Silva Triviños
Educação médica - Trabalho docente/discente - Profª Carmen Lucia Bezerra Machado
BENSAÏD, Daniel. Marx, o intempestivo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.
BORÓN, Atílio. Filosofia política marxista. São Paulo: Cortez, 2003.
DERRIDA, Jacques, S. Espectros de Marx. Rio de Janeiro: Relumé-Dumará,1994.234p.
EAGLETON, Terry. As ilusões do pós-modernismo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.
WOOD, Ellen. Democracia contra capitalismo. São Paulo: Boitempo, 1998.
WOOD, Ellen. Democracia contra capitalismo: a renovação do materialismo histórico.Sâo Paulo: Boitempo,2003.261p.

Movimentos Sociais, Trabalho e Educação - Profª Drª Marlene Ribeiro
ARROYO, Miguel Gonzalez; CALDART, Roseli Salete; MOLINA, Mônica Castagna. Por Uma Educação do Campo. Petrópolis: Vozes, 2004.
GOHN, Maria da Glória. Parte I - Movimentos sociais na atualidade. In: Movimentos Sociais no início do século XXI. Antigos e novos atores sociais. Petrópolis: Vozes, 11 - 88, 2003.
LEITE, Sérgio Celani. Escola rural: urbanização e políticas educacionais. São Paulo: Cortez, 1999. Questões da nossa época, nº 70.
GRITTI, Silvana Maria. Educação rural e capitalismo. Passo Fundo: UPF, 2003. MARTINS, José de Souza. Caminhada no chão da noite. São Paulo: Hucitec, 1989.
RIBEIRO, Marlene. O caráter pedagógico dos movimentos sociais. In: Serviço Social e Sociedade. Nº 58. São Paulo: Cortez, p.41 - 71, nov., 1998.

Educação Profissional - Prof. Dr. Jorge Alberto Rosa Ribeiro
DELUIZ, Neide. "O Modelo das competências profisionais no mundo do trabalho e na educação: implicações para p currículo". In: Boletim Técnico do Senac, RJ, v.27, n.3, set-dez., p. 13-25, 2001.
ENGUITA, Mariano F. (2003). Educação em tempos incertos. P.Alegre, Artes Médicas, 2003.
FRIGOTTO, Gaudêncio (org.). Educação, crise do trabalho assalariado e do desenvolvimento: teorias em conflito. In: Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis. 1998.
KUENZER, Acácia Z. Pedagogia da Fábrica: as relações de produção e a educação do trabalhador. São Paulo, Cortez, 1995.
MANFREDI, Silvia Maria. Educação profissional no Brasil. São Paulo, Cortez, 2002. OLIVEIRA, Luísa. Inserção profissional: o caso da reestruturação dos lanifícios na Covilhã. Lisboa, Ed. Cosmos, 1998. Cap. 1 e 2.
POCHMANN, Márcio. A década dos mitos. Campinas, Contexto, 2001.
POCHMANN, Márcio. O trabalho sob fogo cruzado. Campinas, Contexto, 1999..
RIBEIRO, Jorge A. Rosa. Pocos, buenos, bién tratados y pagados: el mercado interno de trabajo en el sector eléctrico español - 1953-1985. Tesis doctoral. Universidad de Salamanca. Caps 4 e 8, 2000.
TROTTIER, Claude. "Emergência e constituição do campo de pesquisa sobre a inserção profissional (Universidade Laval)". In: Desaulniers, Julieta Beatriz Ramos. (org.). Formação & trabalho & competência: questões atuais. Porto Alegre: EDIPUCRS, pp. 133-177, 1998.

Porto Alegre, setembro de 2004.



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[Blog Aula]


Saiu na MegaZine, suplemento do jornal O Globo, a minha contribuição, em entrevista, para o artigo de Ediane Merola, BLOGAULA.
Acho que, na capa aparece o blog dos alunos do Sérgio.

Uma pena não ter saído o endereço do [zaptlogs], a turma ia gostar.


:: imagem colada do site da MegaZine.

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[Dois mundos, duas licenças]


Por trás de um contrato que deve ser incondicionalmente aceito, o software proprietário esconde várias limitações ao usuários. Já as licenças livres promovem o compartilhamento.

Rafael Evangelista

Embora o termo software livre seja ligado, usualmente, ao sistema operacional GNU/Linux (o GNU De Richard Stallman mais o Linux de Linus Torvalds) ele é muito menos do que isso. Para que um software seja livre, ele não precisa ter nem uma linha de código desses programas mais famosos. Basta que a sua licença incorpore filosoficamente os princípios hackers que foram sistetizados por Richard Stallman – e descritos juridicamente por Mark Fischer.

........ segue no Planeta Porto Alegre

O artigo é bem esclarecedor para quem ainda não sabe as diferenças entre software livre e software proprietário.

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[Semana acadêmica na UFRGS]

Acontece de 13 à 17 de setembro, no Campus Central. A programação já está publicada na página do PPGEDU.
Destacamos:

>>> Segunda-feira, 13/09/2004

14horas às 17horas, na sala 703 da FACED.

MESA 1: A Formação do Orientador de Pesquisa e Ensino
Lucídio Bianchetti (UFSC/SC); Malvina do Amaral Dorneles (PPGEDU/FACEd/UFRGS); Leni Vieira Dornelles (FACEd/UFRGS); Maria Bernadete Rodrigues (Faced/UFRGS).

>>> Terça-feira, 14/09/2004

10:30 horas às 12 horas, na sala 703.
MESA 2: A Formação do Educador como Pesquisador
Augusto Nibaldo Triviños (PPGEDU/UFRGS); Magda Colao (UCS/RS); Carla Búrigo (UFSC/SC)

15 horas às 16:30 horas, na sala 601 da FACED.
MESA 2: Licenciaturas da UFRGS: a construção das atuais reformas curriculares
Elizabeth D. Krahe (PPGEDU/FACEd/COORLICEN/UFRGS); Johannes Doll (PPGEDU/FACEd/GT Licenciaturas/UFRGS); Luciana M. Del Bem (Instituto de Artes/COORLICEN/UFRGS)

19 horas, no Salão de Atos
DEBATE:Candidatos à Prefeitura Municipal de Porto Alegre
Organização e Coordenação:DCE/UFRGS

>>> Quinta-feira, 16/09/2004

9 horas às 12 horas, na sala 101 da FACED
::MESA: Os Adjetivos da Educação
Educação para o Trabalho - Jorge Alberto Rosa Ribeiro (PPGEDU/FACEd/UFRGS)
Educação a Distância - Rosane Nevado (PPGEDU/FACEd/UFRGS)
Educação de Jovens e Adultos - Nelton Dresch (FACEd/UFRGS)
Educação para a Saúde - Miriam Rosa (FACED/UFRGS)



18h, na FACED, Saguão do 7º andar:

Lançamento do Livro Formação de Professores no Mercosul
Autores:Augusto Triviños; Graciela Oyarzaval; Suzana Gutierrez; Miguel Orth.


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Está no ar o número 58 da revista mensal eletrônica de jornalismo científico ComCiência, publicada pelo LABJOR e pela SBPC. O tema desta edição é "Reforma Universitária. Os artigos são:

A universidade e seus desafios

Carlos Vogt
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/01.shtml

Reforma universitária e educação superior
Ana Lúcia A. Gazzola
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/08.shtml

Financiamento e reforma universitária
Nelson Maculan
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/09.shtml

Reforma universitária e avaliação
Maria Helena de Magalhães Castro
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/10.shtml

O capitalismo universitário
Boaventura de Sousa Santos
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/11.shtml

O lugar da polêmica e da reflexão
Wrana Maria Panizzi
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/12.shtml

Conteúdos e programas na reforma do ensino
superior
Alfredo Gontijo de Oliveira
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/13.shtml

Reforma universitária
Gabriel Mário Rodrigues
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/14.shtml

Reportagens:

Governo busca participação e consenso no debate
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/02.shtml

Proposta de ciclo inicial de formação: Para
dar certo modelo não pode
ser imposto
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/03.shtml

Universidade para Todos é aprovado sob críticas
e aplausos
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/04.shtml

Discussão sobre a importância da avaliação
do ensino superior é retomada
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/05.shtml

A autonomia universitária e a escolha de
reitores
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/06.shtml

Crescimento de instituições privadas de
ensino superior é fenômeno
mundial
http://www.comciencia.br/reportagens/2004/09/07.shtml

Entrevistas: (http://www.comciencia.br/entrevistas/frameentr.htm)

Para presidente da Adunicamp reforma vai destruir a universidade pública
Andre Gardini entrevista Maria Aparecida Affonso Moysés

Autonomia com compromisso social
Margareth Franco e Michela de Paulo entrevistam Sergio Cardoso

Resenhas: (
http://www.comciencia.br/resenhas/framerese.htm)

A universidade sem condição
Por Susana Dias

Re-pensando a universidade
Por Germana Barata

Notícias da semana: (
http://www.comciencia.br/noticias/framenot.htm)

- Plano BR 163 sustentável ainda não tem ordenamento territorial
- EUA desenvolvem reator nuclear portátil visando países em
desenvolvimento
- Pesquisa mostra que parto normal após cesárea é possível
- Projetos de lei prevêem cotas maiores do que universidades paulistas
oferecem
- Emissão de gás carbônico na atmosfera afeta também vida marinha

Radar da Ciência: Novidades em Ciência e Tecnologia nas áreas de Física,
Matemática, Biologia e outras.
Links: sobre astronomia, institutos de pesquisas e de divulgação
científica e outros.
Opinião: Painel do Leitor, com espaço para comentários e artigos.

Boa Leitura!

ComCiência -
http://www.comciencia.br
Labjor - http://www.labjor.unicamp.br


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[O que está em jogo em Porto Alegre ]

Marco Aurélio Weissheimer

Durante os anos FHC, cidade gaúcha navegou na contramão da maré neoliberal. Orçamento Participativo e Fórum Social Mundial tornaram-se símbolos dessa escolha. Hoje, líderes daquele período tentam, na disputa eleitoral, se apropriar das escolhas que combateram.

A disputa eleitoral em Porto Alegre está apresentando um fenômeno interessante para pensar a situação da esquerda, seus impasses teóricos e as estratégias dos setores conservadores do país para tentar reconquistar espaços perdidos nos últimos anos. O fenômeno é o seguinte: os candidatos de oposição ao PT, que governa a cidade há 16 anos, procuram incorporar em seus discursos de campanha dois dos principais símbolos da Administração Popular: o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial. Com inflexões variadas, todos aparecem como defensores da participação popular e do ideário do FSM. Essa tentativa de apropriação é um elemento fundamental para se entender o que está em disputa nas eleições municipais de Porto Alegre, em um sentido mais profundo.
Afinal de contas, esses candidatos que hoje falam em "manter e aprimorar" o OP e o Fórum participaram ativamente da experiência do governo Fernando Henrique Cardoso, ou seja, navegaram exatamente no sentido contrário do que foi construído em Porto Alegre. Se hoje aparecem como defensores da participação popular, cabe interrogar seriamente, para além do universo pragmático das estratégias eleitorais, o sentido preciso dessa tentativa de apropriação. Um livro de uma ativista social e pesquisadora inglesa pode ajudar a entender o que está em jogo nessa disputa eleitoral. O argumento central é meio longo, mas vale a pena ser percorrido.

A situação da esquerda na virada de século

"Houve momentos em que as esquerdas possuíam idéias mas não tinham base social. Hoje, em muitos casos, elas têm bases sociais mas não possuem idéias para enfrentar o capitalismo triunfante do fim do século". A reflexão de Marco Aurélio Garcia no prefácio ao livro "Uma resposta ao neoliberalismo – Argumentos para uma nova esquerda", de Hilary Wainwright (editado no Brasil pela Jorge Zahar) ilustra bem uma das dificuldades centrais enfrentadas pela esquerda mundial neste início de século: a ausência de idéias fortes capazes de enfrentar aquilo que se convencionou chamar de neoliberalismo.

Um neoliberalismo, adverte a pesquisadora do International Center for Labour Studies, da Universidade de Manchester, que tem muitos disfarces, manifestando-se sob formas variadas. Wainwright aponta algumas dessas formas. Na Inglaterra de Margaret Thatcher, foi abraçado "com o fanatismo de uma religião secular". Na Inglaterra de Tony Blair, aparece recoberto por uma "bricolage da linguagem ética dos valores do socialismo cristão com o jargão ríspido da modernização e da globalização". E, no Brasil de Fernando Henrique Cardoso, vestiu o "frágil disfarce de social-democracia européia, com uma promessa de ingresso no mundo moderno".

Ausência de idéias fortes, de uma reflexão teórica mais consistente por parte da esquerda, e presença de um modelo hegemônico capaz de legitimar sua dominação através de disfarces mas ou menos sofisticados: essa é, portanto, em um cenário geral e esquemático, a situação da esquerda mundial na virada de século, da esquerda que continua lutando para a construção de "um outro mundo possível" neste mundo, que, afinal de contas, é o único que existe. E foi neste cenário de penúria teórica e de luta política defensiva que a experiência de Porto Alegre conseguiu alcançar uma dimensão internacional, o que, juntamente com outros fatores, acabou dando origem ao Fórum Social Mundial. Parece haver, portanto, algo de peculiar na experiência de Porto Alegre que merece uma atenção mais detida.

A "neutralidade ideológica" do neoliberalismo

Esse quadro fica ainda mais complexo com a entrada em cena de uma peculiar característica legitimadora do atual modelo hegemônico no mundo: "uma estranha neutralidade ideológica permite ao neoliberalismo encaixar-se nesses diferentes disfarces", como assinala Wainwright. O que define essa suposta neutralidade ideológica? Entre outras coisas, um discurso onde a "modernização" é apresentada como um caminho inevitável às "exigências da globalização". O conteúdo deste "pacote modernizador" é bem conhecido de todos e foi aplicado em larga escala no Brasil, em nível federal, estadual e municipal: privatização, macroeconomia monetarista, desregulamentação, flexibilização das leis trabalhistas, precarização dos direitos sociais e do mundo do trabalho. A idéia de que não há modelo alternativo a este permanece muito forte, especialmente após experiências recentes (muitas delas ainda em andamento) de partidos de esquerda que chegam ao poder e permanecem presos ao modelo cujo enfrentamento constituiu sua própria identidade.

Em muitos desses casos, o máximo que se diz é que a correlação de forças é extremamente desfavorável e não permite uma saída do modelo sem traumas irrecuperáveis. Um dos paradoxos assinalados pelo livro de Wainwright é que essa impossibilidade de enfrentamento, fruto de uma correlação de forças adversa, acaba provocando, na maioria esmagadora dos casos, a dissolução da própria idéia de enfrentamento. A afirmação de Marco Aurélio Garcia, citada anteriormente, acaba adquirindo assim um novo significado. Recordemos a passagem: "Houve momentos em que as esquerdas possuíam idéias mas não tinham base social. Hoje, em muitos casos, elas têm bases sociais mas não possuem idéias para enfrentar o capitalismo triunfante do fim de século". O novo significado aparece sob a forma de uma pergunta inquietante, que se refere à segunda parte da afirmação: tem bases sociais por quanto tempo? Há aí, portanto, uma clara armadilha a desafiar a esquerda.

A "demolição apaixonada do socialismo"

O livro de Wainwright fornece algumas pistas interessantes para refletir sobre essa questão. Uma delas consiste no reconhecimento de que "a aparente neutralidade do neoliberalismo repousa em alicerces construídos a partir de uma demolição apaixonada do socialismo". A autora precisa do seguinte modo o alcance dessa operação desmonte: "uma demolição do socialismo em geral, mas firmemente arraigada naqueles que governaram em seu nome, como se não houvesse tradições socialistas sérias oferecendo visões alternativas à intolerância e ineficiência social do 'socialismo realmente existente'".

A base intelectual do modelo hegemônico que articula essa operação de demolição, nota ainda a autora, repousa, entre outras coisas, na justificativa ideológica do mercado como única forma aceitável de organização social. Única forma porque, argumentam seus ideólogos, fruto de uma espécie de ordem natural das coisas. Seria "o resultado de milhões de decisões individuais milagrosamente coordenadas através do acionamento do mecanismo dos preços". Qualquer tipo de intervenção estatal abalaria o equilíbrio delicado deste modelo. Pois bem, um dos argumentos centrais apresentados por Wainwright para pensar a crise teórica da esquerda consiste em afirmar que a compreensão da natureza dessa crise passa justamente pela identificação da base intelectual do neoliberalismo. E ela procura trilhar esse caminho, analisando as idéias do economista e teórico social austríaco Frederick Von Hayek. As críticas de Hayek à intervenção do Estado na economia continuariam, segundo a autora, a "fornecer o capital filosófico do qual se nutrem as políticas neoliberais de todos os matizes, conscientemente ou não". Mas o que tudo isso tem a ver com as eleições municipais em Porto Alegre, poderá alguém perguntar. O argumento já está chegando lá, mas é possível adiantar que tem a ver com as idéias de democratização do conhecimento, do fazer político e da participação.

As fraquezas teóricas da esquerda

Compreender o alcance mais profundo de algumas das idéias de Hayek, defende ainda Wainwright, é fundamental para entender a natureza das dificuldades da esquerda. Sua atual fraqueza teórica, sugere, indica falhas em seus próprios fundamentos filosóficos e é produto de circunstâncias econômicas e políticas modificadas, para as quais ela não está preparada. O fracasso das experiências socialistas do século XX, com o conseqüente colapso das idéias de economias centralmente planejadas, juntamente com a insuficiência das experiências social-democratas, fizeram com que, no final do século XX, a ideologia da supremacia do mercado fosse conduzida ao plano do sagrado. Não há alternativa possível, a história mostrou isso, dizem os sacerdotes dessa transição.

A autora resume com simplicidade os mandamentos fundamentais deste novo evangelho: "o indivíduo sabe o que é melhor para si, o homem ou a mulher de negócios sabe o que é melhor para o negócio; não existe essa história de sociedade, só existe o indivíduo e a família; os ataques ao Estado paternalista e ineficiente". Esses valores tornaram-se o senso comum de nossa época. Basta abrir qualquer jornal, qualquer revista, ligar a televisão ou o rádio, ir ao cinema ou acessar a internet, para testemunhar a força avassaladora deste ideário, que está profundamente impregnado na sociedade. Ao lado dele, habitam valores não menos hegemônicos: o culto ao individualismo, ao narcisismo, ao consumo, à competição e ao dinheiro. Como explicar, então, cabe perguntar, o sucesso da Administração Popular em Porto Alegre? Como explicar que, em meio a este cenário, um tipo de política venha sendo aplicado há 16 anos, com aprovação da população, na contramão do que ocorria no resto do país? Será um acaso ou um aspecto exótico da população da cidade? Para Wainwright, como veremos a seguir, as respostas tem a ver justamente com o modelo de democracia construído na cidade, um modelo que, segundo ela, questiona justamente um elemento central do ideário neoliberal, um elemento incompatível com a idéia de participação.

A natureza do conhecimento e a democracia

Entramos aqui na parte central de seu argumento. Wainwright relata o choque que teve ao dialogar com jovens dissidentes do leste europeu. Esse contato levou-a a questionar até que ponto essa chamada "nova esquerda", em sua teoria e prática, tinha as ferramentas necessárias "para responder ao apelo moral e político do livre mercado". "Diante do desafio dos conceitos fundamentais do neoliberalismo, poderia a nova esquerda desenvolver pontos de vista que a velha esquerda não tivera?" – indagou-se ainda. O desencanto desses jovens ativistas sociais com qualquer coisa que lembrasse a palavra "socialismo", suas simpatias com as idéias de auto-gestão e, ao mesmo tempo, sua contaminação por elementos conceituais que estão na base da obra de Hayek, perturbaram Wainwright e alimentaram a construção do argumento central de seu livro.

Para dar conta dessas inquietações, ela visitou com mais atenção algumas idéias fundamentais de Hayek. Entre elas, encontrou um argumento que considera, até hoje, irrespondível: "boa parte do conhecimento econômico essencial não é como uma lei quantificável ou pelo menos codificável, que possa ser facilmente centralizada; milhões de decisões econômicas dependem do conhecimento prático; esse conhecimento é quase sempre tácito, coisas que sabemos, mas não podemos dizer, nas palavras do teórico pioneiro desse conhecimento, Michael Polanyi; é muitas vezes efêmero e evolutivo e não pode ser captado ou previsto por um cérebro central, por mais computadorizado que esse centro possa ser".

A premissa é brilhante, admite Wainwright, mas Hayek tira dela uma conseqüência falaciosa: o livre mercado seria o único mecanismo capaz de fazer uso da riqueza desse conhecimento prático. O problema, prossegue, é que Hayek pressupõe que o conhecimento prático é, quase que por definição, individual. Ele não considera a possibilidade de tal conhecimento ser compartilhado. E aí está, finalmente, o ponto central do argumento: uma vez que se admite o caráter social e compartilhado do conhecimento prático, então existe a possibilidade de que as organizações sociais, onde esse compartilhamento se expressa, influenciem o caráter do mercado e a própria natureza do poder político. Isso permite, defende a autora, pensar e fortalecer uma nova abordagem do poder: "o poder, que é o da massa das pessoas que têm de contar com sua própria inteligência, umas com as outras e com os direitos que elas e seus predecessores conquistaram através da luta".

O conhecimento associado ao fazer, acrescenta, é uma fonte de poder especial, muitas vezes latente. O compartilhamento e a democratização do conhecimento e do fazer são, portanto, práticas políticas que confrontam diretamente um dos elementos centrais da base intelectual do neoliberalismo, a saber, o caráter individual do conhecimento prático. E, no cenário do atual modelo econômico hegemônico em escala mundial, o que assistimos, de fato, é um crescente e articulado processo de privatização e concentração dos saberes e dos fazeres.

Rumo à Estação Porto Alegre

E chegamos, finalmente, ao Brasil e, mais particularmente ao caso de Porto Alegre. Para Wainwright, a experiência dos movimentos dos trabalhadores, dos sem terra e dos movimentos sociais urbanos no Brasil, que levaram, entre outras coisas, à criação do Partido dos Trabalhadores, está profundamente alicerçada no reconhecimento da importância estratégica do compartilhamento de saberes e fazeres, no reconhecimento do valor político da participação. O potencial político dessa compreensão e dessa prática, segundo ela, está expresso nas administrações do PT em lugares como Porto Alegre, onde o Orçamento Participativo e um conjunto de políticas públicas associadas a ele assumiram uma dimensão tal que tornaram a cidade uma referência internacional para a esquerda e sede do Fórum Social Mundial.

Essas experiências, segundo ela, descobriram que a democracia participativa "está se comprovando como a única maneira de refrear os setores mais brutais da classe dominante". Descobriram que "uma democracia simplesmente baseada em eleições livres e representação parlamentar não é capaz de superar a miséria em que vivem 40 milhões de pessoas".

Pois bem, enquanto a esmagadora maioria das cidades brasileiras navegava na corrente dominante dos anos FHC, a capital gaúcha decidiu remar em sentido contrário e apostou na participação popular como bússola dessa jornada. Vem fazendo isso há 16 anos e hoje é curioso ver que antigos adversários ferrenhos do Orçamento Participativo façam malabarismos na campanha eleitoral para defendê-lo. Cabe lembrar um acontecimento recente da política gaúcha. Durante o governo Olívio Dutra, o OP foi implantado em nível estadual, sob saraivada de críticas e ataques. A sua aceitação pela população do Estado pode ser medida pelo fato de que, durante a campanha eleitoral de 2002, o então candidato Germano Rigotto (PMDB) disse que iria manter o OP e aperfeiçoá-lo. Uma vez eleito, uma de suas primeiras medidas foi extingui-lo e substituí-lo por um simulacro denominado Consulta Popular, que eliminou a participação direta da população nos debates sobre o orçamento.

Agora, nas eleições municipais, a cena se repete. E os atores pertencem ao mesmo campo político. A tentativa mais escancarada de apropriação do Orçamento Participativo e do Fórum Social Mundial é feita pelo candidato José Fogaça (PPS). A trajetória de Fogaça ajuda a entender a natureza dessa tentativa de apropriação, no contexto do argumento apresentado por Wainwright. Ele trocou o PMDB pelo PPS em 2002, juntamente com o grupo do ex-governador Antônio Britto, cujo governo implantou em nível estadual o receituário aplicado por FHC em nível nacional. A política de privatizações implementada pelo governo Britto (então no PMDB) foi de tal modo rejeitada pela população gaúcha que, em 2002, o candidato do partido teve que jurar de pés juntos que não venderia empresas públicas em seu governo. Fogaça também foi líder do governo FHC no Senado e, como tal, um dos principais articuladores das políticas deste período. Entre outros feitos, foi relator da Lei Kandir que retirou recursos importantes dos estados exportadores. A situação beira o surrealismo, mas se aproxima mais da hipocrisia: hoje, Rigotto é um crítico da Lei Kandir, que ele e Fogaça ajudaram a aprovar.

O candidato do PMDB, Mendes Ribeiro, não é tão explícito em seus elogios à democracia participativa, mas também se apresenta como um defensor, desde criancinha, da participação popular. O que é mais significativo neste cenário é que esses candidatos foram ferrenhos adversários das políticas implementadas em Porto Alegre pela Administração Popular. Durante os governos de Antônio Britto e de FHC, estavam navegando na direção contrária do que estava sendo feito na cidade. Durante o governo de Olívio Dutra, tampouco tinham dúvidas de que lado estavam. E estavam nesta direção de modo coerente, pois tinham outras idéias. Na verdade, continuam com as mesmas idéias, mas têm que lidar com o fato de que a democracia participativa desenvolvida em Porto Alegre tornou-se uma aquisição da cidade, um conhecimento prático da população.

Derrotar o PT em Porto Alegre significa, portanto, atacar o significado mais profundo dessa experiência que, segundo o argumento de Wainwright, tem a ver com a papel estratégico da democratização do conhecimento e do fazer político para qualquer enfrentamento mais consistente com o modelo neoliberal. Dada a legitimidade que o OP adquiriu na cidade, isso só poder ser feito através de uma tentativa de apropriação simbólica, em primeiro lugar, e de desconstituição, em segundo, seguindo os passos do governo Rigotto. Os disfarces que acompanham essa tentativa de apropriação não conseguem esconder a filiação política e ideológica de seus autores. Trata-se de um teste de fogo para o PT gaúcho. Um teste cujo desafio passa pela capacidade de compreender e saber traduzir os significados mais profundos da caminhada feita até aqui.

Marco Aurélio Weissheimer é jornalista da Agência Carta Maior, que publica originalmente este artigo. (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

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[Semana Acadêmica da FACED e PPGEDU / UFRGS]


Realizar-se-á de 13 à 17 de setembro, na FACED. Dentro da programação, estão previstas Defesas de dissertações e teses, palestras, oficinas, mesas redondas sobre assuntos diversos.
(programa ainda não divulgado)


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[Miguel Arroyo na UFRGS]


Colóquio com o Dr. Miguel Gonzalez Arroyo.
Data: Quinta-feira, 09 de setembro.
Hora: 10h:30min
Local: FACED / UFRGS

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[ Os desafios atuais da esquerda brasileira Tarefas primordiais.]


Enfrentamento das políticas neoliberais exige organização e trabalho de base

A sociedade brasileira vive um período muito especial, por diversas razões. Uma delas é o longo período de crise de modelo econômico. Sempre que há crise, há instabilidade, mas ao mesmo tempo se caracteriza um processo de transição - ainda que não saibamos para onde iremos.
Isso vai depender da correlação de forças sociais.

Depois de 50 anos do chamado modelo de industrialização dependente - na definição de Florestan Fernandes -, na década de 80 esse modelo entrou em crise como padrão de acumulação do capital. Na década seguinte, a classe dominante brasileira aceitou um papel de subalterno ao capital internacional e passou a implementar as políticas neoliberais, na
"ilusão" de que se constituiriam num novo modelo de desenvolvimento da economia nacional.

As políticas neoliberais desnacionalizaram nossa economia, tiraram o poder do Estado e deram liberdade total ao capital internacional. Mas essa subordinação não resultou num novo ciclo de desenvolvimento. O capitalismo internacional havia entrado numa fase de total
hegemonia do capital financeiro, mesclado com os grandes grupos monopólicos, que dominam o comércio, a industria e os serviços.

Agora, a forma principal de acumulação é na esfera financeira. Acumula-se por meio dos juros e do lucro na compra de ações das empresas estatais ou nacionais já instaladas; e dá-se liberdade total de remessa para o exterior.
Nada disso gera riqueza nacional, emprego, trabalho, distribuição de renda.

Em doze anos dessas políticas, a economia como todo permaneceu instável.
Independentemente do PIB crescer, ficar estável ou decrescer, as grandes transnacionais e o capital financeiro ganham sempre.
Ou seja, o modelo não serve para as nações, não serve para as populações melhorarem de vida, mas serve para as grandes empresas oligopólicas e para o capital financeiro.

Mudanças e contradições
Com resultados sociais cada vez piores, o povo entendeu o significado dessas políticas e, na eleição de 2002, votou contra o modelo. Não se sabia, no entanto, o que deveria ser colocado em seu lugar, até pelo baixo nível de debate político da campanha de 2002. No desespero da
ameaça da crise Argentina, parte das elites brasileiras aceitou a possibilidade de mudança e
fez uma aliança com a alternativa Lula.

Do lado de cá, do PT e das forças sociais que apoiaram Lula, essa possibilidade era entendida como uma aliança tática entre a classe trabalhadora e setores da burguesia industrial, para enfrentar o capital financeiro, nacional e internacional. Mas da parte
das elites, não foi essa a leitura. Fizeram uma aliança para não perder os dedos, e para seguir
influindo nas políticas publicas no rumo do neoliberalismo.

Passados quase a metade do mandato, o resultado está aí. Segue-se uma política econômica neoliberal, hegemonizada por esses setores da classe dominante brasileira que controlam toda área econômica do governo, desde o Banco Central até o Ministério da Agricultura. A
natureza e as conseqüências dessa política todos já conhecemos, há doze anos.
Representam a hegemonia do capital financeiro, que usa as políticas públicas para garantir suas taxas de lucro, através dos juros, do poder de oligopólio e da liberdade total de atuação.

E qual a contradição que acaba nos ajudando? É que esse conjunto de políticas econômicas de corte neoliberal não se constitui num modelo sólido de acumulação de capital e de retomada de um processo de desenvolvimento nacional. Poderemos ter até crescimento econômico, mas ele será hegemonizado pelo capital financeiro, pelo setor oligopolizado da
economia e pelas xportações das empresas transnacionais, que usam o livre-comércio para
aumentarem suas taxas de lucro.

Nessas políticas não há espaço para distribuição de renda, para reforma agrária, para mercado interno, para elevação do consumo de bens de massa e nem mesmo para as políticas sociais. Sem catastrofismo, com essa opção os problemas sociais só se agravam. Aqui, na China e em qualquer país que foram aplicadas.

Esse é o desafio de ordem econômica. Não há saída para o povo nas políticas econômicas neoliberais. Elas só interessam ao grande capital. Mantendo-se nelas, só se agravarão os problemas do povo, mesmo com PIB crescendo e com alguns setores, em especial vinculados ao mercado externo, aumentando o numero de empregos.

O desafio da esquerda social E como enfrentar esse quadro? Há uma tendência natural das forças sociais e políticas a se referenciarem apenas no que o governo faz. Contudo, como se
diz no meio do povo, o "furo é mais embaixo". A sociedade brasileira precisa debater e construir um novo projeto de desenvolvimento, pensando que modelo pode hoje organizar a produção e a economia voltando-se para a solução dos problemas da população, e não apenas de acumulação do capital. É preciso um verdadeiro mutirão social, que leve esse debate a todos espaços sociais, das escolas, colégios, universidades, sindicatos, igrejas e movimentos sociais.
E isso extrapola a tendência simplista de apenas falar mal do governo ou defendê-lo.

O segundo desafio. Na luta de classes tudo se resolve pela correlação de forças. Não basta um exercício de retórica, por mais combativo que seja.
Quem não tem povo organizado, não tem força para defender suas idéias. Quem tem apenas idéias boas, e não se preocupa em organizar os trabalhadores, os pobres, cai facilmente no sectarismo, no esquerdismo ou no peleguismo.

A correlação de forças sociais atual é desfavorável para a classe trabalhadora, pelo longo período histórico de refluxo do movimento de massas. Isto não quer dizer que não haja lutas
sociais. Mas não existe um movimento crescente e massivo, que construa organicamente uma unidade popular em torno a um projeto unificado de mudanças.
É preciso estimular as lutas sociais e a construção de um amplo movimento de massas, unitário, que consiga se contrapor à hegemonia do capital financeiro, que se expressa nas
mais diversas esferas da sociedade - às vezes até no movimento sindical.

Aqui cabe uma reflexão autocrítica de todos nós. Para estimularmos e organizarmos as lutas sociais é necessário fazer trabalho de base, o que significa a militância social dedicar-se
prioritariamente a fazer o trabalho de convencimento e de organização nuclear do povo.
Precisamos colocar nossas energias para ir lá aonde povo vive, trabalha, e organizá-lo.

É preciso levar nossas idéias, nossos materiais, fazer pequenas reuniões, ir aglutinando, construindo força social organizada.
Infelizmente parte da militância não percebe que sem organizar o povo não se vai a lugar algum, e muitas vezes se ilude com eternas reuniões de cúpula ou meros discursos avaliativos da conjuntura.

Disputa ideológica
O terceiro desafio que a esquerda social tem se dá no campo da disputa ideológica. Precisamos organizar a disputa da hegemonia na sociedade, como nos alertava Gramsci. Não apenas fazer lutas econômicas, corporativas, que podem resultar em pequenas conquistas sociais para a classe, mas que não organizam a classe para mudanças substantivas, nem
disputam projetos na sociedade.

Nesse campo ideológico temos várias frentes e tarefas pendentes. Temos o trabalho de formação política de nossa militância, de nossos quadros, atualmente muito raro. Temos a tarefa de construir nossos próprios meios de comunicação social: rádios comunitárias, televisões comunitárias e públicas, jornais e boletins. Até quando vamos ficar iludidos
com conquistar pequenos espaços na televisão, nos jornais e rádios da burguesia? Eles sempre vão estar a serviço dos interesses da sua classe, a classe dominante, como nos
advertia o saudoso Perseu Abramo.

Devemos também utilizar as mais diferentes formas de expressão cultural. O teatro, a música, a dança, as artes plásticas e as festas populares representam uma excelente forma de comunicação social e de idéias com nosso povo.

Como vêem, temos muitas tarefas pela frente, se quisermos sair dessa crise econômica e ideológica que a sociedade brasileira vive. As esquerdas precisam fazer uma boa autocrítica e começar a trabalhar olhando para o longo prazo.

João Pedro Stédile, membro da direção do MST, participa da CMS


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[concursos]


EDITAL Nº 89, DE 27 DE AGOSTO DE 2004

O Magnífico Reitor da Universidade Federal do Espírito Santo, tendo em vista a autorização do Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, conforme Portaria nº 37, de 12-03-04, publicada no Diário Oficial da União de 15-03-04, e de acordo com a Portaria nº 711, de 18-03-04, publicada no Diário Oficial da União de 19-03-04, do Ministro de Estado da Educação, observado o que dispõe a Portaria nº 450/02-MP, de 06-11-02, publicada no Diário Oficial da União de 07-11-02, torna público que estarão abertas as inscrições para provimento de cargos de professor de 3º Grau, do Quadro Permanente desta Universidade, em regime de trabalho de dedicação exclusiva, no período de 30-08 a 11-10-04.

:: informações: http://www.ufes.br/concurso/


CONCURSO PARA PROFESSOR NA UESC - diversas áreas

- inscricoes de 20 a 30 de setembro - VEJA NO ENDEREÇO ELETRÔNICO ABAIXO O EDITAL E NÚMERO DE VAGAS E NORMAS - http://www.uesc.br/concurso/con012004/concurso2004.htm

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["DA MISÉRIA IDEOLÓGICA À CRISE ESTRUTURAL DO CAPITAL: UMA RECONCILIAÇÃO HISTÓRICA"]


Ciclo de debates A Atualidade do Marxismo I

PALESTRA COM MARIA ORLANDA PINASSI
(Professora do Departamento de Sociologia da UNESP, autora de "Três devotos, uma fé, nenhum milagre"; co-organizadora de "Lukács e a atualidade do marxismo" e membro do Comitê de Redação da Revista Margem Esquerda)


DIA 3 DE SETEMBRO - SEXTA-FEIRA - 16H
PANTHEON DO IFCH - UFRGS - CAMPUS DO VALE
(Av. Bento Gonçalves, 9.500)

Organização:
Movimento Attac Porto Alegre
www.attacpoa.org
attac@attacpoa.org

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["DA MISÉRIA IDEOLÓGICA À CRISE ESTRUTURAL DO CAPITAL: UMA RECONCILIAÇÃO HISTÓRICA"]


Ciclo de debates A Atualidade do Marxismo I

PALESTRA COM MARIA ORLANDA PINASSI
(Professora do Departamento de Sociologia da UNESP, autora de "Três devotos, uma fé, nenhum milagre"; co-organizadora de "Lukács e a atualidade do marxismo" e membro do Comitê de Redação da Revista Margem Esquerda)


DIA 3 DE SETEMBRO - SEXTA-FEIRA - 16H
PANTHEON DO IFCH - UFRGS - CAMPUS DO VALE
(Av. Bento Gonçalves, 9.500)

Organização:
Movimento Attac Porto Alegre
www.attacpoa.org
attac@attacpoa.org

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[defesa de tese]


Doutoranda: Georgina Helena de Lima Nunes
Título: Práticas do Fazer, Práticas do Saber: vivências e aprendizados com a infância do corredor
Orientadora: Profª Drª Marlene Ribeiro
Data: 08/09/04 às 14:30 horas
Local: Sala 703 - FACED/UFRGS

Banca:
Prof. Dr. Miguel Gonzalez Arroyo - FAE/UFMG
Prof. Dr. Nilton Bueno Fischer - FACED/UFRGS
Prof. Dr. Elomar Tambara - FACED/UFPel
Profª Drª Daisy Barcelos - IFCH/UFRGS
Prof. Dr. Joannes Doll - FACED/UFRGS

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