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# [Marcel Proust e as Inovações Tecnológicas] Veja como Marcel Proust reconheceu e registrou as inovações de seus dias João Grinspum Ferraz Definir a modernidade é uma árdua tarefa. Para cada ciência, ou melhor, em cada corte epistemológico que realizamos, a modernidade significa uma transformação progressista nos métodos e na maneira de ver as coisas. Muitas vezes, trata-se de uma completa revolução no modo em que as ciências se reconhecem. A modernidade não pode ser marcada em uma linha cronológica. Em cada campo do conhecimento humano a modernidade teve seu “tempo de acontecer”, sua época. Ela não é temporal nem territorial. A modernidade pode ser (e talvez assim seja uma forma melhor de colocar as coisas) tratada como a condensação de diversos “avanços” – ou inovações – que, em diversos campos do conhecimento humano, transformaram de maneira definitiva o habitus do indivíduo no Planeta Terra. Nos mais diversos lugares, pudemos observar mudanças significativas no modus vivendi dos seres humanos, mesmo que em escalas e graus diferentes. De fato, a modernidade seria então este nebuloso período que, de certa forma, transformou o homem feudal no indivíduo que hoje conhecemos. Círculo das Tecnologias “Os progressos da civilização permitem a cada qual manifestar qualidades insuspeitadas ou novos vícios que os tornam mais caros e mais insuportáveis a seus amigos.” (Marcel Proust in Sodoma e Gomorra) Uma das mais marcantes características do nebuloso período a que chamamos modernidade é a intensificação do aparecimento de inovações tecnológicas. Ou seja, a grande quantidade de criações pela ciência de instrumentos extracorporais que, baseados em inovações teóricas no campo da tecnologia, vêm a facilitar as atividades humanas, substituindo métodos onde havia, outrora, a necessidade de uma maior esforço para atingir, com igual ou menor eficiência, um objetivo específico. Ações como a comunicação, a movimentação, a realização da higiene pessoal e os tratamentos médicos, recebem novos instrumentos que possibilitam ao homem realizar mais complexas atividades. Não são, porém, uma contribuição àquilo que o indivíduo já realizava apenas; essas inovações transformam os métodos pelos quais eram realizadas tais tarefas outrora, impingindo no ser humano uma gradual mudança no seu habitus, alterando definitivamente os seus mais íntimos movimentos e métodos. ...... segue na Agência Carta Maior
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