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[Cultura Século XXI - Cooperação internacional, sociedade civil, educação e cultura]


Debate chega ao terceiro painel discutindo a interface entre cultura e educação

Eduardo Carvalho

Ontem, 28 de junho, aconteceram os dois primeiros painéis do debate Cultura Século XXI - Cooperação internacional, sociedade civil, educação e cultura, com os temas "Ética da cooperação cultural internacional" e "Sociedade civil, cultura e política cultural". Acontece hoje, 29 de junho, o terceiro painel, sobre o tema "Educação desculturalizada", às 15 horas, no Instituto Goethe.
Se, no primeiro painel, discutiu-se a cooperação internacional como elemento a revelar-se, se não um antídoto à globalização, certamente um componente reequilibrador da dinâmica cultural hoje caracterizada pela existência de um mercado no qual se verifica uma concentração das atividades ao redor de alguns poucos modos e pólos culturais, no segundo, discutiram-se os modos pelos quais uma outra concepção de política cultural pode contribuir para a definição de novos e melhores modos de gestão democrática da cultura.

O Painel III, "Educação esculturalizada", com a Moderação de Teixeira Coelho (na foto) e com Laymert Garcia dos Santos, do Brasil, e Wolfgang Schneider, da Alemanha, como expositores, pretende discutir o quase consenso de que a universidade e a escola são instituições hoje em crise, e que as "reformas" que lhes são propostas parecem apenas prolongar a sua agonia. Por um lado, reclama-se que as instituições de ensino estariam desconectadas da "sociedade", por outro, que elas não corresponderiam às novas exigências do "mercado". Ao mesmo tempo, e para tornar a questão ainda mais complexa, a aceleração tecnológica e a globalização estão quebrando as fronteiras disciplinares do conhecimento e exigindo dos profissionais uma capacidade e uma flexibilidade no manejo das informações, dos dados e dos contextos que nenhuma especialização pode propiciar. Em poucas palavras: a experiência contemporânea exige uma "capacidade de leitura" que só um contato aprofundado e diversificado com a cultura permite. Ora, o paradoxo é que no momento mesmo em que a formação exige um trânsito cultural intenso, a educação se encontra desculturalizada.

Cultura e políticas públicas

A última década viu a cultura ascender a uma posição de destaque no cenário internacional, e não apenas sob o aspecto econômico. Uma data simbólica foi o ano de 1994, quando se deu a chamada Rodada do Uruguai do GATT (Acordo Geral de Comércio e Tarifas), em cujo contexto consagrou-se a "exceção cultural", signo tanto da importância econômica da cultura quanto da necessidade de tratá-la de modo especial no quadro das políticas públicas. Desde então, tornaram-se mais nítidas as transformações no quadro da cultura no interior da sociedade contemporânea, num processo que se intensificou nesta fase da globalização marcada ao mesmo tempo por novas possibilidades de desenvolvimento humano quanto por atritos culturais indisfarçáveis. Surgiram novos atores culturais no interior dos territórios nacionais e na dimensão internacional. E a necessidade de uma gestão democrática da cultura fez com que se tornassem prioritárias outras abordagens do tema para além das tradicionais, como as relativas à produção e à distribuição da cultura.

:: publicada originalmente na Agência Carta Maior
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