NA RODA VIVA POPULAR: MÍDIA E CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS*

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Por meio de uma iniciativa do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia, da Abong e da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), ocorrerá no II Fórum Social Nordestino, em dia a ser confirmado, a Roda Viva Popular: mídia e criminalização dos movimentos sociais. A proposta nasce com base no fato de que a construção de uma sociedade democrática passa necessariamente pela democratização da comunicação – um dos eixos da Plataforma dos Movimentos Sociais por uma Reforma Política ampla, democrática e com participação popular.
Assim, a Roda Viva Popular tem por objetivo colocar em debate a mídia – tanto do ponto de vista da estruturação das comunicações no País como da cobertura realizada pela imprensa das diversas lutas dos movimentos sociais por transformação social, que promove uma visão criminalizadora desses movimentos.
Nesse sentido, são exemplos, entre outros: a cobertura da imprensa à ação dos movimentos sociais na luta por reforma agrária e contra a transposição do Rio São Francisco; a criminalização das mulheres que praticam aborto e a falta de debate amplo sobre a luta feminista pelo direito ao aborto; a cobertura conservadora sobre ação das ONGs vinculadas aos movimentos sociais, numa nítida tentativa de favorecer interesses políticos – que pretendem dificultar a ação de organizações que buscam o avanço da sociedade civil organizada, autônoma e plural – pela criação de uma legislação que burocratiza, no lugar de fortalecer essas organizações.
Estarão no centro da Roda três representações da sociedade civil organizada, que debaterão com sete jornalistas e comunicadores/as de organizações e movimentos questões sobre vários temas e problemas, como o fato de que a construção de uma sociedade democrática no Brasil requer mudanças no sistema político, na cultura política e no próprio Estado. Também estão sendo convidados/as para a Roda jornalistas da grande imprensa.
Estarão ainda em discussão vários outros aspectos sobre o tema proposto, como a relação entre a mídia e as várias formas de criminalização dos movimentos sociais; a falácia da imparcialidade jornalística na cobertura dos fatos; a repressão às rádios comunitárias; o reforço das medidas de criminalização,; as tentativas recentes do Ministério das Comunicações de estigmatizar esta comunicação popular e de culpabilizar por interferência no tráfego, em franca defesa dos interesses das grandes corporações da mídia.
*Boletim Eletrônico da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais - ABONG - 24 a 30 de julho de 2007 – Edição Especial Contagem regressiva para o II Fórum Social Nordestino
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