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MIMICA
# O interessante do discurso de apropriação é quando grupos ou pessoas se tornam donos do criado
e fazem parte da constante transformação do mesmo. Quando um trabalho coletivo beneficia somente um grupo, ou pessoas isoladas, perde-se o sentido real de todo o discurso. Laboratório paralelo ao Fórum Social Mundial policêntrico. De 23 a 29 de janeiro de 2006. Galeria Olido, São Paulo: espaço Piolim, mezanino da MetaReciclagem e possivelmente o telecentro Olido Cibernarium. Possivelmente também o telecentro de pipa. [mais infos]
prêmio especial: a melhor piada de loira*
# Ainda não parei de rir :)
Como se vai longe por uma risada, ainda mais se é a melhor piada de loira dos últimos tempos. *off topic, afinal estamos de férias :)
Expansão nas federais
# fonte Agência FAPESP
02/01/2006 Agência FAPESP - O Ministério da Educação, por meio do Projeto Expandir da Secretaria de Educação Superior, anunciou o investimento de R$ 266,5 milhões na expansão de instituições federais de ensino. Os convênios entre o governo e as universidades foram assinados em 28 de dezembro. Além da expansão de 41 campi, principalmente no interior do país, o programa havia definido anteriormente a criação de nove universidades federais. A lista de beneficiados pela expansão que acaba de ser aprovada tem 14 estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe. No caso da Universidade Federal do Amazonas, o Conselho Universitário da instituição aprovou a criação de três novos campi nos municípios de Coari, Humaitá e Benjamim Constant. A previsão de início das aulas nessas unidades é o segundo semestre de 2006. Concursos públicos também serão abertos para a contratação de novos professores. No Mato Grosso, a opção é consolidar os campi já existentes. O objetivo é oferecer 500 novas vagas em onze cursos de graduação. A Universidade do Mato Grosso é a única instituição de ensino superior federal do estado. Atualmente ela oferece cursos nas cidades de Cuiabá, Rondonópolis, Barra do Garça e Sinop. Para consultar a tabela das instituições contempladas pelo novos convênios clique aqui. Para saber mais sobre as nove universidades federais criadas pelo governo em julho de 2005, clique aqui.
CAPES VAI PREMIAR MELHORES TESES
# A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/MEC) acaba de criar o Prêmio Capes de Tese e o Grande Prêmio Capes de Tese. As duas modalidades vão premiar, anualmente, a partir de 2006, as melhores teses de doutorado aprovadas nos cursos reconhecidos pelo MEC. A primeira concessão está marcada para julho de 2006, por ocasião das comemorações do 55º aniversário da Capes.
O Prêmio Capes de Tese será concedido em cada uma das áreas do conhecimento que tem um representante de área nomeado pela Capes. As teses premiadas nessa modalidade serão automaticamente inscritas para o Grande Prêmio Capes de Tese, que vai escolher três teses, uma de cada conjunto de grandes áreas. De acordo com o diretor de Avaliação da Capes, Renato Janine Ribeiro, o primeiro conjunto de grandes áreas engloba ciências biológicas, ciências da saúde e ciências agrárias; o segundo, engenharias e ciências exatas e da terra; e o terceiro, as áreas de ciências humanas, lingüística, letras e artes e ciências sociais aplicadas e na área de ensino de ciências. As pró-reitorias terão um papel fundamental na escolha interna dos participantes... [leia na íntegra na CAPES]
Bolsa-Família é embrião da renda universal
# ANTONIO NEGRI* e GIUSEPPE COCCO** Há vários meses, com doses a cada vez renovadas de hipocrisia e cinismo, o governo Lula está sendo literalmente linchado por praticamente toda a grande imprensa nacional. Em um país como o Brasil, a "criminalização" de apenas "dois anos" do único governo não oriundo da atávica reprodução das elites tecnocrático-corporativas e oligárquico-escravagistas seria hilária se não fosse trágica. Apenas o preconceito de classe e até racial pode explicar a tão leviana adesão a uma "verdade do poder" que -no Brasil- tem a mesma cara e a mesma violência da desigualdade social e racial da qual ela é uma triste representação. Evidentemente, o verdadeiro debate é outro: ele diz respeito ao lugar e à dinâmica do que chamaremos -por oposição explícita- de poder (ou potência) da verdade. Onde está a resposta ética e transparente ao moralismo instrumental das "elites sem projeto"? A dificuldade de responder a essa pergunta se encontra no fato de que, em face da ofensiva midiática e política das elites, o governo, o PT e os chamados "movimentos" sociais ficaram praticamente paralisados. Por quê? Em parte e sobretudo num primeiro momento, essa paralisia se explica pela própria dinâmica da crise política enquanto celebração da homologação do PT e do governo Lula às práticas plurisseculares das elites. A verdade do poder sabe como representar, deixando um espaço para o moralismo impotente daqueles que acreditavam que haveria uma representação "pura" e até mesmo revolucionária. Um outro mecanismo do espetáculo hediondo da "verdade do poder" é o da representação do "silêncio dos intelectuais". Não fosse pela coragem política da filósofa Marilena Chaui -que desmentiu a arrogância intelectual de alguns-, o campo do debate teórico-político brasileiro teria sido falsificado como sendo o deserto do "esquecimento da política". Mas as razões desse impasse são outras: elas se encontram na questão da política econômica do governo Lula. Para uma parte consistente da militância e dos dirigentes do PT, um governo se define como de "esquerda" essencialmente em razão da política econômica que faz. E isso porque, para eles, a integração social só pode vir da dinâmica de uma taxa de emprego que, por sua vez, está atrelada às taxas de crescimento (do PIB!). Ora, apesar da política econômica (e dos percalços do PIB no último trimestre de 2005), as estatísticas nacionais apresentam elementos positivos: o nível de desigualdade está diminuindo desde 2001 -e de maneira acelerada desde 2003 e 2004. Com efeito, o programa Bolsa-Família é o grande responsável por essa evolução extremamente positiva e inovadora e indica claramente que a política social pode ter um desempenho expressivo apesar dos bloqueios e problemas gerados pelos juros astronômicos. É exatamente aí, no Bolsa-Família, que está o paradoxo. O governo Lula assumiu essa política social a aceitando (e a justificando) como sendo condicionada (a uma determinada contrapartida por parte dos lares beneficiários). Os neoliberais (nem todos) a aceitam enquanto política focalizada (não-universal), pois dirigida aos mais pobres. Os defensores de uma virada radical da política econômica (dentro do próprio governo e do PT) a suportam como política compensatória que necessariamente deverá ser substituída quando a dinâmica do emprego permitir a retomada das políticas universais articuladas a partir da relação salarial (ou seja, da tradicional relação capital-trabalho). Todas essas três abordagens são inadequadas, porquanto não apreendem que, no capitalismo contemporâneo (globalizado, organizado em redes que integram produção e circulação e cada vez mais baseado na produção de conhecimento), a integração social (o fato de ter direito aos direitos, de ser um cidadão por todos os efeitos) não está mais atrelada à integração produtiva (dentro da relação salarial, no estatuto de um emprego formal regulado por um contrato de duração ilimitada). Pelo contrário, no capitalismo da era do conhecimento, para ser produtivo, é preciso ter educação, moradia e acesso aos serviços básicos e avançados. Para ser produtivo, é preciso ser cidadão -inclusive e sobretudo, ter renda! Reduzir a desigualdade pelo Bolsa-Família não significa apenas fazer política social. Significa, também, fazer política econômica: para além do horizonte inatingível do pleno emprego keynesiano. É por isso que o "crescimento com redução da desigualdade" torna o desenvolvimento sustentável: trata-se de uma dinâmica material de mobilização produtiva, e não de um princípio abstrato. Massificando o programa Bolsa-Família, o governo Lula está fazendo exatamente isso: criando um embrião de salário universal e, pela primeira vez, praticando aquela distribuição de renda que funciona de lastro à retórica vazia de muita gente. Nesse sentido, o governo Lula deveria colocar sua própria prática numa outra perspectiva, apontando para a incondicionalidade e a aceleração do processo de massificação (democratização) do Bolsa-Família enquanto embrião de uma renda universal e cidadã. *Antonio Negri, 72, filósofo italiano, é professor titular aposentado da Universidade de Pádua (Itália) e professor de filosofia do Colégio Internacional de Paris (França). Entre outras obras, escreveu, em parceria com Michael Hardt, os livros "Império" e "Multidão". **Giuseppe Cocco, 49, cientista político, doutor em história social pela Universidade de Paris, é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre outras obras, escreveu, com Antonio Negri, o livro "Glob(AL): Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada". |
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